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Entrevista com Edilene Luchesi da Costa
Professora de biologia e gestora do projeto
Ação Educativa - Como surgiu a idéia de inscrever um projeto para o Prêmio 2008?
EC - Nossa vontade de inscrever um projeto da escola para a 1ª edição do Prêmio Minha Comunidade Sustentável surgiu de uma série de fatores: em primeiro lugar, obviamente o que nos estimulou foi a própria oportunidade que a Carta na Escola e Ação Educativa nos proporcionou. Consideramos que o perfil da premiação tinha a cara da proposta de trabalho que vínhamos desenvolvendo. Em segundo lugar, foi a necessidade que já identificávamos de sistematizar teoricamente nossas ações no campo da sustentabilidade e em terceiro lugar a necessidade de captar recursos para viabilizar na íntegra o que pretendíamos realizar.
AE - Vocês já tinham um projeto inicial ou foi uma idéia totalmente nova?
EC - Nós já estávamos numa trajetória de desenvolvimento de projetos e ações na área da educação ambiental na linha da pedagogia da sustentabilidade. No entanto, visualizamos na premiação a possibilidade de agregar novos produtos – como o sistema de captação de águas de chuva, biodigestor e viveiro – e dar maior organização ao nosso trabalho dando-lhe um caráter mais técnico.
AE - Quais parcerias vocês constituíram para realizar o projeto? Em que medida ele mobilizou a escola?
EC - Para a realização de nosso projeto contamos com a parceria da Subprefeitura de Parelheiros que tem nos oferecido ajuda na manutenção do local (infraestrutura) e apoio técnico, do Centro de Pesquisas Mokiti Okada que nos oferece assessoria e consultoria na área da agricultura natural que aplicamos na horta e do Projeto Mais Verde que nos presta assessoria e consultoria na área de viveirismo e reflorestamento. Além destes, cuja presença é sistemática, temos contado com parcerias pontuais como é o caso do Centro de Tecnologia Hidráulica da USP – na pessoa do Engº Paulo Romera – e da Cetesb – na pessoa do Engº Horácio – que contribuíram no planejamento do sistema de captação de águas pluviais e da Solventex que nos doou os tambores para biodigestão. O projeto Educando para a Sustentabilidade na Bacia do Guarapiranga tem mobilizado em diferentes graus os diferentes segmentos da comunidade escolar que além de contribuir e participar das ações programadas muito tem nos estimulado. A comunidade e parceiros tem muito orgulho do projeto que vem sendo desenvolvido.
AE - Depois do projeto ter sido escolhido como um dos vencedores, quais foram os maiores desafios para implementá-lo?
EC - Sem dúvida, o maior desafio foi a execução do sistema de captação de água pluvial. Boa parte da premiação foi utilizada para sua consecução e tínhamos muito medo que desse errado. Outro desafio foi a logística para a implementação das diferentes ações. Os desafios que enfrentamos tem nos proporcionado uma aprendizagem – individual e institucional – que não teríamos em outra situação.
AE - Foi necessário fazer adaptações no projeto original? Como isso ocorreu?
EC - O projeto quando sai da teoria para a prática vai sofrendo alterações, transformações. Por exemplo, no projeto original o sistema de captação de águas estava muito complexo e custoso. Quando concluímos o dimensionamento e funcionamento do sistema percebemos que ele era mais simples do que imaginávamos. Outras ações também foram simplificadas. Esse movimento permitiu avançar na realização de outras ações – oficinas inicialmente não programadas p. ex. – e na incorporação de outros produtos até então não previstos como p. ex. a organização do galpão de trabalho e na sala de aula a céu aberto que estamos iniciando com os recursos da premiação.
AE - Quais foram os principais benefícios desse processo para a escola? Provocou transformações nos alunos? No corpo docente?
EC - Se não podemos atribuir ao projeto a total responsabilidade pela melhoria do desempenho escolar de nossos alunos, por outro lado, não se pode negar o papel importante que possuem para que isso ocorra, na medida em que proporcionam situações de aprendizagem diversificadas, dinâmicas, interativas, motivadoras, geram desafios, protagonismo e um forte laço de pertencimento e cumplicidade com o ambiente escolar tornando-o mais agradável e acolhedor. Percebemos ainda, no aspecto qualitativo, redução dos casos de vandalismo e depredação do patrimônio escolar, dos casos de indisciplina e violência (bulling p. ex.). Os alunos estão mais receptivos a ajudar e participar. Grupos de estudantes se organizam. Os conceitos de sustentabilidade e educação ambiental lentamente começam a ser mais conhecidos, compreendidos e praticados por todos. Entre professores percebemos também que aos poucos vai se quebrando a resistência e o corpo docente começa uma trajetória direcionada para o trabalho coletivo e colaborativo.
AE - Existem perspectivas de continuidade do projeto para alem do que o Prêmio permitiu realizar?
EC - Sim. O projeto Educando para a Sustentabilidade criou a infra estrutura necessária para render frutos por um bom tempo ainda. A premiação, neste aspecto, teve um papel fundamental tornando o projeto independente das verbas governamentais e auto-sustentável. Devemos isso à Carta na Escola, à Ação Educativa e ao Prêmio Minha Comunidade Sustentável.
AE - Que dica você daria para quem está construindo um projeto em 2009?
EC - A nossa dica é a seguinte: se você acredita que pode contribuir para que nosso mundo seja sustentavelmente melhor, que a sua comunidade escolar pode realizar coletivamente esse sonho não tenha dúvidas: reúna seus colegas professores, alunos, pais e parceiros, sistematize suas agonias e esperanças e encaminhe seu sonho na forma de um projeto de educação sustentável e vencendo ou não torne-o uma realidade.
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