Encontro na África fortaleceu as diversidades e o processo FSM PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Seg, 05 de Fevereiro de 2007 21:00

Sérgio Haddad, coordenador geral da Ação Educativa e membro suplente do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, acompanhou as atividades do Fórum Social Mundial, realizado entre os dias 20 e 25 de janeiro em Nairóbi, no Quênia. Em entrevista, Haddad destaca a importância da realização do evento na África e realça os principais debates sobre a Educação que aconteceram no encontro.

AE - Como foi a experiência africana dessa edição do Fórum?

Sérgio Haddad – O Fórum foi muito interessante sob o ponto de vista da experiência africana, porque mobilizou muitas organizações, movimentos, sindicatos africanos, etc. Houve uma participação muito grande de africanos, coisa que não ocorria nos outros Fóruns. As temáticas africanas também tiveram muito relevo, por exemplo, o tema da AIDS, da água, da guerra, o tema da migração, da pobreza e também a expressão cultural. A presença da diversidade africana foi muito importante, porque quando a gente pensa em África, a gente tem de pensar nessa diversidade, de grupos sociais, de tendências de trabalho que existem na África, além da expressão cultural e musical. Em outros Fóruns não houve essa possibilidade de isso ocorrer de maneira tão marcada. Então, sem dúvida nenhuma, isso vai dar um impulso muito grande para o fortalecimento da sociedade civil africana, que é tênue, não tem a força de outros continentes. Então e eu acho que o Fórum cumpriu seu papel.

AE - E quais as pautas relevantes quanto ao tema Educação?

Haddad - Na parte final, além das pautas permanentes, a questão da educação gratuita, porque em vários países africanos tem um processo crescente de transferir a responsabilidade para os pais, de pagamento das escolas, mesmo na educação primária isso tem ocorrido. Houve também um grande apoio à Campanha Global pelo Direito à Educação. Ao final, no quarto dia, houve uma assembléia entre as várias organizações de educação, e uma das coisas que ficou muito marcada foi o apoio à Campanha Global, para que ela possa ser o carro chefe nessa lógica de defender a educação como direito. Também tivemos temas mais voltados a certas particularidades, como a Educação de Jovens e Adultos, por exemplo com a idéia de vincular a educação à cultura, de pensar sempre em processos educativos que possam ampliar o nível de consciência das pessoas, que o desenvolvimento educacional é também o desenvolvimento político das pessoas e que a tomada de consciência sobre seus destinos, é um processo organizativo, de mobilização. Essas foram as pautas principais dessa área.

AE - É possível traçar uma perspectiva para os próximos anos? Principalmente quanto à questão dos comitês de mobilização previstos para o ano que vem?

Haddad - Existem várias atividades que já estão pautadas pelas programações normais dos Fóruns regionais, dos Fóruns nacionais. Por exemplo, o Fórum Brasileiro continua, assim como o Fórum Nordestino. Ficou definido que vai ocorrer na metade no ano o Fórum das Américas, que deve acontecer na América Central. Então, já existe um processo do Fórum Social que depende desses eventos nacionais. Além do mais, existe uma agenda para cada um dos 20 grupos de trabalho (grupos temáticos que se reuniram no 4° dia do Fórum). Esta é uma agenda de atividades, mobilizações, estratégias, como no caso da água, do meio-ambiente, das mulheres. Todos esses temas têm uma agenda anual de atividades. E finalmente, tem a idéia de se fazer grandes manifestações, durante dois dias, 24 horas, durante a época do Fórum Econômico de Davos, que seriam parte organizadas por esses grupos e parte aproximando essas outras atividades já definidas a se realizarem durante esse período.

Vale destacar que esse é um processo de enraizamento e encaminhamento das decisões tomadas, para depois voltar para a performance centralizada em 2009, ainda a ser definida pela reunião do conselho internacional, que deve ocorrer em junho desse ano.

 

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