Identidade e trabalho docente: a situação do professor readaptado em escolas públicas de São Paulo PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 23 de Julho de 2009 14:27
Leia texto de Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol, professora há 19 anos da rede pública do Estado de São Paulo e há 6 na situação de readaptada.
Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol é professora há 19 anos da rede pública do Estado de São Paulo, e há 6 anos está na situação de readaptada. É formada em Educação Física, pós-graduada em Didática, Educação Especial e Mestre em Educação. Coordena projetos em escola pública, realiza mediação de conflitos entre alunos e professores, presta assessoria ao projeto de Qualidade de Vida na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e é pesquisadora da Universidade Brás Cubas.

Fonte: Portal do Observatório da Educação

No contexto das instituições escolares tem sido comum ouvir de professores readaptados dúvidas, angústias, frustrações e reclamações sobre suas atuais condições. A readaptação gera desrespeito, desvalorização profissional, sofrimento, exclusão, restrição de atividades, mudança de função ou de local de trabalho, dentre outros obstáculos para o desenvolvimento da identidade profissional docente.

Este texto apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado que teve por objetivo identificar e explicitar quem é o professor que se encontra na situação de readaptado em escolas públicas do Estado de São Paulo. Para tanto, pesquisou-se seu perfil; como o processo de readaptação interfere na sua identidade profissional; e se é possível uma proposta de reabilitação e integração para o professor readaptado.

A pesquisa identificou 254 professores readaptados nas 78 escolas que pertencem à Diretoria de Ensino Região de Mogi das Cruzes - SP. Problemas nas cordas vocais são a principal causa-doença que motiva a readaptação, seguida por problemas de coluna e fatores psiquiátricos.

Segundo informações colhidas no ano de 2005 junto ao Departamento de Recursos Humanos, o professor na situação de readaptado no sistema estadual de educação deve permanecer em afastamento temporário ou em definitivo, e exercer funções correlatas ou inerentes às do magistério, fora da sala de aula, conforme o resultado da avaliação pericial médica que tenha estabelecido o rol de atribuições que poderá executar nos ambientes escolares.

A média de professores readaptados por escola ficou entre 2,36% a 3,54%. Verificou-se que 38,6% passaram a trabalhar nas secretarias das escolas, 36,6% nas bibliotecas, 20,9% desenvolviam atividades em mais de um ambiente dentro das escolas e 3,9% atuavam nas salas ambientes de informática.

Do ponto de vista qualitativo, revelaram-se aspectos da identidade docente no processo da readaptação. Os dados e as informações colhidas por meio dos questionários aplicados e dos depoimentos das colaboradoras permitiram afirmar que a readaptação promove uma suspensão da identidade docente desses profissionais. Além disso, esses profissionais ficam sujeitos ao preconceito já enraizado na cultura escolar.

Embora haja iniciativas pontuais, no sistema público estadual não existe uma ação preventiva abrangente que auxilie o professor a evitar o processo de readaptação. Também são ausentes ações de integração e reabilitação para o profissional que já se encontra readaptado. São tomadas medidas transitórias em cada gestão governamental, sempre na incumbência da secretaria de saúde, que utiliza a perícia médica como um meio para auxiliar na diminuição dos processos de readaptação.

Assim, se a readaptação foi criada para que o servidor público não continuasse em licenças de saúde constantes, conforme indicação no Manual do Readaptado e da Readaptação (2005), o que pudemos identificar foi que a maioria dos professores readaptados está nas escolas exercendo funções diversas da sua formação, voltadas a suprir falta de funcionários específicos, sem uma proposta coerente de integração com educadores ou uma proposta de reabilitação funcional relacionada à sua formação e habilitação. O processo de readaptação, como tem se realizado, não promove uma efetiva readaptação, mas novos fatores de sofrimento que geram angústias e exclusão.
Última atualização em Seg, 27 de Julho de 2009 12:49
 

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