Na Ação
Carta aberta: É preciso aperfeiçoar o relatório do PNE PDF Imprimir E-mail
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Qua, 02 de Abril de 2014 18:45

CARTA ABERTA DAS ENTIDADES E MOVIMENTOS EDUCACIONAIS

É PRECISO APERFEIÇOAR O RELATÓRIO DO PNE PARA GARANTIR UM PLANO CAPAZ DE CONSAGRAR O DIREITO À EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL

 

Brasil, 01 de abril de 2014.

Com o intuito de garantir um Plano Nacional de Educação (PNE) capaz de colaborar decisivamente com a consagração do direito à educação pública de qualidade, as entidades e os movimentos educacionais signatários solicitam às deputadas e aos deputados federais que compõem a Comissão Especial do PL 8035/ 2010 o destaque a três pontos do relatório do Dep. Angelo Vanhoni (PT-PR).

Mesmo afirmando que na Meta 20 do PNE o investimento público será em educação pública, ao incorporar proposta do Senado Federal na forma do parágrafo 4º ao Art. 5º, o relatório do Dep. Vanhoni acaba por estabelecer uma nova maneira de contabilizar o investimento em políticas públicas educacionais.

Para considerar na contabilização da Meta 20 do PNE (10% do PIB para educação pública) programas como Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), ProUni (Programa Universidade para Todos), Ciências Sem Fronteiras e FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), além de matrículas em creches e pré-escolas conveniadas, o relator absorve um dispositivo que pode levar à falta de garantia da expansão da educação pública nos diversos níveis e modalidades de ensino.

Em outras palavras, a manutenção desse instrumento pode significar a indistinção entre o que é público e o que é privado, trazendo graves consequências à gestão educacional e à qualidade da educação. E mais grave: da forma como está disposto, permite uma expansão ilimitada dos programas supracitados no orçamento da educação. Portanto, é preciso suprimir o parágrafo 4º do Art. 5º da proposta de Lei do PNE.

No âmbito da Educação Básica e da questão federativa, ao não retomar a Estratégia 20.10 da Câmara dos Deputados, que determina a complementação da União ao Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi) e ao Custo Aluno-Qualidade (CAQ), o relatório desobriga o Governo Federal a participar de modo justo e decisivo na Educação Básica.

Assim, caso o texto seja mantido tal como propõe o relator, todo o custo da elevação de qualidade na Educação Básica, determinada pelos mecanismos do CAQi e do CAQ, recairá sobre os orçamentos municipais e estaduais, ferindo tanto a realidade orçamentária dos entes subnacionais como o disposto no parágrafo 1º do Art. 211 da Constituição Federal: cabe à União colaborar técnica e financeiramente com Estados e Municípios para o atingimento de um padrão mínimo de qualidade na Educação (mensurado pelo CAQi).

Vale ressaltar que a complementação da União ao CAQi e ao CAQ consta do Documento Final da Conae (Conferência Nacional de Educação) de 2010 e do Documento Base da Conae de 2014. Ou seja, é um instrumento imprescindível para a comunidade educacional. Desse modo, a Estratégia 20.10 precisa ser reinserida no PNE, tal como constava no relatório da Câmara dos Deputados de junho de 2012.

Por último, ao incorporar a Estratégia 7.36 do Senado Federal, o relatório do Dep. Angelo Vanhoni estimula, por meio do PNE, a prática de bonificação por resultados na educação pública brasileira. Essa política, que tem sido revogada mundo afora, acaba por desconstruir a carreira docente e não melhora a aprendizagem, pelo contrário: é contraproducente. O caso mais emblemático de revogação da medida ocorreu em Nova Iorque, na gestão do prefeito republicano Michael Bloomberg. Portanto, é preciso suprimir a Estratégia 7.36.

Afora os destaques acima mencionados, as entidades e movimentos educacionais solicitam a aprovação dos deputados e das deputadas da Comissão Especial ao texto do relator Angelo Vanhoni (PT-PR) no que se refere à questão do combate às discriminações de gênero, raça e de orientação sexual. O PNE não pode se eximir de planificar uma educação que respeite integralmente todos os cidadãos e cidadãs em território nacional, fazendo das políticas educacionais um instrumento fundamental de combate aos preconceitos e à violência contra a mulher, contra os negros e as negras e contra a comunidade LGBT.

Por fim, demonstrando a unidade do movimento educacional, o que está disposto nesta Carta Aberta está alicerçado pela 21ª Nota Pública do Fórum Nacional de Educação, espaço de encontro entre a sociedade civil e os governos.

As entidades e movimentos educacionais signatários desta Carta acompanharão as votações finais do PNE na Comissão Especial e no Plenário da Câmara dos Deputados, observando a presença e os votos dos deputados e das deputadas.

Entidades e movimentos educacionais signatários (por ordem alfabética):

1. AASSOPAES (Associação de Pais de Alunos do Espírito Santo)

2. ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)

3. AÇÃO EDUCATIVA – ASSESSORIA, PESQUISA E INFORMAÇÃO

4. ACTIONAID BRASIL

5. ALIANÇA PELA INFÂNCIA

6. ANFOPE (Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação)

7. ANPAE (Associação Nacional de Política e Administração da Educação)

8. ANPAE/AL

9. ANPAE/PI

10. ANPED (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação)

11. ARRAIAL FREE (Coletivo de Lésbicas pela cidadania LGBT, Contra Homofobia de Arraial do Cabo – RJ)

12. CADARA (Comissão Assessora de Diversidade para Assuntos Relacionados aos Afrodescentes)

13. CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO

14. CAMPE (Centro de Apoio a Mães de Portadores de Eficiência)

15. CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire)

16. CEDECA-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)

17. CEDES (Centro de Estudos Educação e Sociedade)

18. CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária)

19. CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)

20. CMB (Confederação de Mulheres do Brasil)

21. CNAB (Congresso Nacional Afro-brasileiro)

22. CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)

23. CONTEE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino)

24. CORSA – Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor

25. CRECE (Conselho de Representantes dos Conselhos de Escola)

26. CUT (Central Única dos Trabalhadores)

27. ECOS - COMUNICAÇÃO EM SEXUALIDADE

28. EDGES (Grupo de Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual da Faculdade de Educação da USP)

29. ENEGRECER (Coletivo Nacional de Juventude Negra)

30. ESCOLA DE GENTE – COMUNICAÇÃO EM INCLUSÃO

31. ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO DA FIOCRUZ

32. FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

33. FASUBRA (Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Universidades Brasileiras)

34. FEE-CE (Fórum Estadual de Educação do Ceará)

35. FEIC (Fórum de Educação Infantil do Ceará)

36. FINEDUCA (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação)

37. FNCE (Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação)

38. FOMEJA (Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos)

39. FÓRUM DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO RIO GRANDE DO NORTE

40. FÓRUM GO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

41. FÓRUM PERMANENTE DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO ESPÍRITO SANTO

42. FÓRUM RJ DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

43. FÓRUM RO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

44. FÓRUM SC DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

45. FÓRUM SP DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

46. FORUMDIR (Fórum Nacional de Diretores de Faculdades/Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras)

47. FUNDAÇÃO ABRINQ PELOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

48. GELEDÉS INSTITUTO DA MULHER NEGRA

49. IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas)

50. INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos)

51. INSTITUTO PAULO FREIRE

52. JPL (Juventude Pátria Livre)

53. MIEIB (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)

54. MMM (Marcha Mundial das Mulheres)

55. MOVIMENTO CULTURAL FAZENDO ARTE

56. MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

57. NEJA/UFMG (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos)

58. PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior)

59. REDE ESTRADO (Rede Latino-americana de Estudos sobre Trabalho Docente)

60. UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas)

61. UGES (União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas)

62. UMES/SP (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo)

63. UNCME (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)

64. UNDIME (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)

65. UNE (União Nacional dos Estudantes)

66. UNEFORT (União Estudantil de Fortaleza)

67. UNIPOP (Instituto Universidade Popular)

 

Fonte: Entidades e movimentos sociais

Última atualização em Qua, 02 de Abril de 2014 19:04
 
1964-2014: Após 50 anos do golpe militar, democracia e autoritarismo são temas de debate promovido pela Ação Educativa PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Seg, 24 de Março de 2014 18:16

Encontro pretende refletir sobre o cenário de repressão militar e criminalização dos movimentos sociais que ainda persiste como herança autoritária da ditadura brasileira

Com o tema “50 anos do golpe e...?”, Ação Educativa realiza, no dia 31 de março, o primeiro encontro Ação em Debate, nova iniciativa que amplia os espaços de formação política da organização, com temas da conjuntura atual. Os encontros vão acontecer na última segunda-feira de cada mês, a partir das 19h30.

Na data que marca o cinquentenário do golpe que impôs ao Brasil 21 anos de um regime autoritário, a abertura fica por conta da intervenção cênica “Três metros quadrados”, idealizada pela Kiwi Companhia de Teatro. A apresentação é baseada em depoimentos de ex-prisioneiros/as políticos/as e em materiais documentais sobre violação de direitos humanos, para abordar temas relacionados a violência institucional durante os períodos ditatoriais de países latino-americanos.

A ideia nasceu do projeto “Morro como um país – a exceção e a regra”, desenvolvido desde 2012, resultado de três anos de pesquisas que incluíram estudos teóricos, viagens, reuniões e análises de material iconográfico e musical, além da participação em seminários e acompanhamento de coletivos que lutam por memória, verdade e justiça.

Para estimular o debate, também estão entre os convidados Camila Gibin, integrante do Coletivo Anastácia Livre e José Correa, pesquisador e professor universitário.

Inscrições

Para se inscrever, basta mandar nome e contato para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Mais informações pelo telefone (11) 3151-2333, ramais 122, 129 ou 160.

Ação em Debate: 20 anos em Ação

Em 2014, a Ação Educativa comemora 20 anos de uma trajetória de luta pela defesa e implementação dos direitos humanos e pela ampliação da democracia, fortalecendo a nossa identidade com a educação popular. Muitas serão as rodas de conversas, os debates e espaços voltados à reflexão sobre as diferentes realidades de nosso país. O Ação em Debate é mais uma iniciativa que se soma a este objetivo, integrando a dimensão formativa de nossa organização. Saiba mais sobre esta e outras ações voltadas à Formação em Direitos Humanos. Acesse www.acaoeducativa.org/fdh e confira!

Serviço

1º Encontro Ação em Debate
Local: Ação Educativa (Rua General Jardim, 660)
Data/horário: 31 de março, a partir das 19h30
Inscrições: Pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Última atualização em Seg, 24 de Março de 2014 18:20
 
Complementação da União ao CAQi é constitucional e reduz desigualdades brasileiras, dizem juristas PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Sex, 14 de Março de 2014 16:11

Brasil, 13 de março de 2014.

Aos parlamentares da Comissão Especial do PL 8035/2010 (Plano Nacional de Educação)

 
Brasil sedia pela segunda vez o Fórum Acadêmico dos BRICS PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 27 de Fevereiro de 2014 20:16

Nos dias 18 e 19 de março, no Rio de Janeiro, acontecerá a sexta edição do Fórum Acadêmico dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que busca reunir especialistas e professores de comunidades acadêmicas dos países-membros e fortalecer o diálogo com a sociedade civil no sentido de discutir e propor políticas para o bloco. O evento ocorre anualmente e precede a Cúpula dos BRICS, que esse ano será realizada em Fortaleza-CE, nos dias 15 e 16 de julho.

 
Em defesa do direito às manifestações de rua PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 27 de Fevereiro de 2014 19:28

Os flagrantes de violência policial contra manifestantes que se reuniram em São Paulo no dia 22 de fevereiro, no ato Não Vai Ter Copa, são mais um sinal de alerta da crescente ameaça que a democracia brasileira vem sofrendo. A força descomunal na ação repressiva, aliada à atuação da mídia, tem criminalizado todo o movimento reivindicatório, tomando como bode expiatório a violência de uns poucos, e apenas de um lado. Somada a isso,, ganham espaço iniciativas legislativas que põem em risco o exercício do direito à livre manifestação, um dos pilares da democracia e do Estado democrático de direito. Segundo levantamento realizado pela ONG Artigo 19, encontram-se em tramitação no país 21 projetos de lei sobre protestos de rua com esse teor, 14 deles em nível federal.