“As pessoas saíram do Fisc com o compromisso renovado”, diz professora da UFPA PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qua, 02 de Dezembro de 2009 15:44
Leia entrevista com Eula Regina Lima Nascimento, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), e membro do comitê local da organização do Fisc.


Fonte: Portal do Observatório da Educação

Observatório da Educação – Como foi organizar o evento na Universidade?

Eula Regina Lima Nascimento – Para nós da UFPA foi um grande diferencial todo esse movimento de construção, pois tivemos de dialogar com o comitê nacional e o internacional, numa metodologia muito mais à distância, o que é muito interessante. Foi um processo realizado com muitas mãos, sem a necessidade da presença. O grande desafio foi ter um diálogo, sem negar o conflito e a contradição. Construímos o evento e, quando chega o momento da execução, quando a gente se encontra, há um panorama novo: as pessoas têm rosto, presencialidade, falas, e isso também foi muito bonito: o encontro de gentes, países, línguas e pessoas que estavam com um mesmo objetivo, numa construção coletiva.

OE – E a participação da comunidade da UFPA e de Belém?

Eula – É importante que se registre o papel dos voluntários da UFPA, da UEPA, da Unifop e dos movimentos sociais foi muito bonito. Os alunos aderiram de forma muito intensa ao trabalho, e não apenas de forma técnica, mas numa dimensão humana muito bonita. As pessoas sentiam como eles acolhiam e ficaram antenados com o que estava acontecendo. As falas com que tiveram contato será um diferencial na formação acadêmica e na vida. Alguns, mesmo que contratados para um turno, acabavam participando do dia todo porque queriam realmente ficar ali. Não houve estresse, estranhamento, um grupo que respondeu de forma bonita e tranquila. Foi um grande aprendizado para nós e para eles. No momento final, em que os voluntários foram chamados, se sentiram reconhecidos e verbalizaram isso.

OE – Como as temáticas debatidas no FISC impactam a atuação local?

Eula – A maioria das plenárias contou com um grupo significativo de pessoas, debatendo e aprofundando questões da educação de adultos no Brasil e no mundo. Em todo esse movimento, em que há uma discussão macro sobre EJA no mundo, seguida de mesas temáticas, as pessoas começam a fazer uma reflexão e pensar suas ações e trabalhos a partir disso. Pudemos conversar e pensar junto com os sujeitos da comunidade local, para ver se as ações contam para os fins da EJA, o que vem sendo colocado nos marcos legais, enfim, como o arcabouço teórico e experiências apresentadas estão sendo pensados.

Nas atividades autogestionadas dá para sentir esse movimento. Os alunos têm papel fundamental nisso, até quem não está envolvido com a temática passa a querer se envolver mais com projetos, programas, ações como um todo, não apenas da Universidade. O momento com o MST, que trabalhou a descriminalização do movimento, foi marcante. É uma outra pedagogia, outra forma de pensar o mundo e a sociedade. As pessoas saem dali com compromisso renovado, reestabelecido, para retomar as ações.   

OE – Destaca algum outro ponto?

Eula –
Sim, as pessoas que vieram pra cá, pelo compromisso que tiveram, em especial os painelistas de outros países. Trouxeram discussões sem prepotência ou arrogância teórica, é muito bonito ver as pessoas se colocando com humildade e disposição de fazer interlocução, dando a contribuição sem dizê-la como verdade pronta e acabada. Isso faz com que o conhecimento entre numa perspectiva de dinamicidade que fortalece as trocas, a religação dos saberes e renovação das práticas.
 

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