Professores denunciam recusa de matrículas na EJA ensino médio em SP PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qua, 02 de Dezembro de 2009 15:24
O processo consistiria na diminuição do número de escolas que atendem à modalidade.


Fonte: Portal do Observatório da Educação

Educadores de diferentes regiões da Grande São Paulo e de Campinas entraram em contato com a Ação Educativa e com a professora Maria Clara Di Pierro, da Faculdade de Educação da USP, para informar mudanças no processo de matrículas para a Educação de Jovens e Adultos no nível ensino médio, para 2010, no Estado de São Paulo.

O processo consistiria na diminuição do número de escolas que atendem à modalidade pela "nucleação" do atendimento, ou seja, concentração de alunos em algumas escolas-pólo, por região. Além disso, estariam sendo recusadas as matrículas de pessoas que tenham cursado a primeira ou segunda séries do ensino médio (regular ou EJA) em épocas passadas e que pretendam retomar os estudos. Estas seriam encaminhadas diretamente para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). As escolas estariam matriculando apenas aquelas pessoas que já vêm cursando a EJA (fundamental II e médio). As informações não foram negadas ou confirmadas pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. A assessoria de imprensa da pasta ainda não respondeu ao pedido de entrevista encaminhado pelo Observatório, no dia 30 de novembro.

Tais procedimentos, notadamente o de recusa de matrículas para o ano letivo de 2010, foram constatados nos municípios de Campinas e Embu das Artes. Na capital paulista, há ocorrências nas regiões Leste 4, Oeste e Centro Sul. Maria Clara recebeu informações de alunos que fazem estágios em escolas estaduais localizadas nas imedidações da USP, campus Butantã. Eles foram notificados de que não haverá mais oferta de cursos nessas escolas em 2010, sendo tais turmas nucleadas em uma única escola pólo no Rio Pequeno, em Telecurso com avaliação no Encceja. No próximo ano, em toda a DRE Centro-Oeste, só haveria oferta de EJA, em nível médio, em três escolas. Hoje são 20. Tais informações também não foram negadas ou confirmadas oficialmente pela Secretaria.

Demanda x fechamento de salas

De acordo com Cláudio Marques da Silva Neto, membro da coordenação estadual do fórum de EJA-SP, haverá uma reunião em 9 de dezembro para debater a questão com a SEE. “A informação é de que a SEE não está abrindo vagas e criando pólos, dizendo que só há vaga em determinadas escolas. Numa escola da rede estadual de um colega, a orientação é não abrir mais vagas a partir de 2010, mas não há confirmação. Quem está no primeiro ano iria normalmente para o segundo, mas não seriam mais abertas vagas para o primeiro ano. Assim, em dois anos, seria encerrado o atendimento”. De acordo com os educadores, as orientações estariam sendo repassadas pela Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo (COGSP).

Em Embu das Artes, segundo informações de Vinicius Xavier Zammataro, também membro do fórum de EJA-SP, uma escola estadual está negando matrículas da comunidade e acolhendo apenas aqueles que cursaram a EJA nível fundamental II em uma escola vizinha. “Dizem que só depois vão começar a matricular a comunidade, mas isso não está certo. Se não é gerada a demanda, como vai pedir para abrir sala? Não dão qualquer justificativa, simplesmente negam a matrícula”, afirma.

Ele acrescenta que outra informação recebida é sobre a abertura de Telecurso, com avaliação pelo Encceja, não durante o processo. “É muito mais superficial. Quanto aos pólos, colocar três escolas ao invés de vinte esvazia a EJA, pois com a dificuldade de transporte em São Paulo, haverá evasão. Parece que o objetivo é minar a oportunidade de aprender. Isso faz com que caia a qualidade de maneira violenta. Parece que o governo do estado só pensa em custo, no mais barato. Reduz custo e piora a educação”.

Questões ainda sem resposta

O programa Ação na Justiça, da Ação Educativa, encaminhou ao COGSP um requerimento de informações sobre o planejamento de distribuição de turmas em EJA para 2010 (leia aqui), no dia 27 de novembro. Além disso, o Observatório encaminhou à SEE-SP algumas questões, ainda sem retorno. São estas:

1) Há alguma orientação ou comunicado da Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo, no sentido de que seja implementada uma política de “nucleação” (em escolas-pólo) da oferta de EJA nas escolas da rede estadual de ensino, tanto no âmbito da Diretoria Regional de Ensino Centro-Oeste como no âmbito das demais diretorias?

2) Há alguma orientação ou comunicado no sentido de que seja reduzida a quantidade de escolas a oferecer a modalidade EJA no ano letivo de 2010? Quais as razões que eventualmente tenham levado a estas decisões?

3) Há alguma orientação ou comunicado da COGSP no sentido de que DREs e escolas restrinjam a matrícula de pessoas que tenham cursado a primeira ou segunda séries do ensino médio (regular ou EJA) em outros lugares ou épocas passadas e que pretendam retomar estudos?

4) Existe orientação ou comunicado para que estas pessoas sejam encaminhadas diretamente para o Encceja, sendo-lhes vedado o ingresso na modalidade específica? Se sim, por quê?

5) Em quais escolas da rede pública estadual de ensino da região metropolitana de São Paulo foram formadas turmas da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 2009 e em quais serão formadas turmas em 2010? As aulas terão cursos presenciais ou serão desenvolvidas em “telesalas”?

6) Como deve proceder uma pessoa que busque a EJA para 2010?
Última atualização em Qua, 02 de Dezembro de 2009 15:26
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar