Há uma estética periférica? PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Sex, 30 de Abril de 2004 21:00

Cerca de 3,5 mil pessoas participaram de oficinas, shows e debates da Mostra Cultural da Cooperifa (SP) para refletir, entre outras coisas, sobre a estética da cultura de periferia.


Entre os dias 18 e 23 de novembro, a Zona Sul de São Paulo foi palco da 1ª Mostra Cultural da Cooperifa. Cerca de 3,5 mil pessoas participaram de oficinas, shows e debates no Campo Limpo e no Jardim São Luiz. A realização de um evento como este mostra a importância crescente que a Cultura Periférica tem ganhado no circuito paulistano, e o consagrado Sarau no Bar do Zé Batidão e a publicação recente de inúmeras obras de autores ligados à Cooperifa também são mostras desta tendência.

Com esta visibilidade, uma das questões que surgem em relação ao movimento periférico é sobre a sua estética. Eleilson Leite, coordenador do programa de Cultura da Ação Educativa, acompanha e apóia o movimento cultural da periferia há anos, não possui uma opinião fechada e acredita que os próprios autores periféricos também ainda não refletiram conjuntamente sobre o assunto. Para ele, a Mostra foi uma boa oportunidade para isso.

E um dos pontos altos desta discussão foi a mesa de debates em que Eleilson foi mediador na Mostra, “Realidade e Ficção no Cotidiano da Periferia”. Participaram da mesa os escritores Rogério Ciríaco e Michel da Silva, além do poeta Márcio Batista. Eleilson conta que a experiência foi muito rica. “Foi a primeira vez que vi um debate sobre a literatura periférica, onde os artistas do movimento se debruçaram publicamente sobre a sua arte”. Ele acredita que, dali, ficou visível que a literatura periférica busca aproximar a realidade do leitor, algo similar, em termos, com o realismo.

Outro ponto alto do debate, para Eleilson, foi a tentativa de se abstrair as questões sociais e ideológicas da arte. “É claro que elas [questões sociais e ideológicas] não estão separadas completamente da estética, mas esse distanciamento é importante para a discussão”.

Um circuito cultural de periferia

Para Eleilson, iniciativas como a Agenda Cultura da Periferia e a Mostra da Cooperifa trazem à luz a intenção de dar visibilidade ao circuito cultural da periferia. “Na periferia, há escassez de acesso à arte por parte da população. Não tem museu, galeria, cinema. O que não quer dizer que não tenha cultura. E o que queremos é criar um circuito cultural da periferia, para toda a população de São Paulo, e não só a periférica, possa usufruir. Existe um barato na periferia que é legal de curtir”, afirma.

Última atualização em Ter, 06 de Março de 2012 17:34