Em Fortaleza, aprovação de novo plano de carreira que achata salário provoca tumulto PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Ter, 14 de Junho de 2011 16:19
Os professores da rede municipal de Fortaleza estão em greve pelo cumprimento da lei do piso e contra o plano de carreira proposto pela prefeitura. Aprovado nesta terça-feira (7) pela Câmara dos Vereadore.

 

Do Observatório da Educação
Ter, 07 de Junho de 2011


Há mais de 40 dias, os professores da rede municipal de Fortaleza estão em greve pelo cumprimento da lei do piso e contra o plano de carreira proposto pela prefeitura. Aprovado nesta terça-feira (7) pela Câmara dos Vereadores, o novo plano achata o salário dos profissionais que já possuem remuneração acima do piso de R$ 1.187 estabelecido pelo Ministério da Educação para este ano.

Com a proposta, a Prefeitura desmembra o plano de carreira anterior, criando duas novas tabelas: uma que considera os graduados e pós-graduados e, outra, que diz respeito apenas aos que possuem nível médio. Estes, que recebiam abaixo do piso, terão aumento de 18% em seu vencimento-base – o salário sobe de R$ 1.000 para R$1.187. Mas, com o desmembramento, o aumento de 18% não foi repassado para as outras faixas da carreira, que receberam um acréscimo de somente 2%.

Além disso, a prefeitura reduziu o valor de algumas gratificações e excluiu outras que faziam parte da remuneração dos docentes. Concedida aos professores da ativa, a regência de classe, por exemplo, que em alguns casos chegava a 50% do salário, foi reduzida em quinze pontos percentuais.

O secretário da administração municipal de Fortaleza, Vaumik Ribeiro, afirma que o desmembramento dos planos de carreira é uma “mera questão de técnica legislativa”.  “Os ocupantes do cargo de nível médio terão asseguradas as suas promoções e, se fizeram especializações, passarão a ocupar estágio de carreira equivalente”. Ele alega que seria “impossível” aceitar a proposta feita pelos grevistas, pois a prefeitura não teria recursos em caixa.

Em relação à reserva de um terço da jornada de trabalho para atividades extraclasse, Ribeiro afirma que a secretaria está fazendo um estudo sobre o assunto. “Não temos como ignorar a necessidade de o professor estar em sala de aula. Mas já foi baixado o edital para a convocação de mais 648 profissionais”, afirma.


A rede municipal de ensino de Fortaleza possui mais de 12 mil professores e cerca de 230 mil alunos. Segundo o Sindiute (Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Educação de Fortaleza), 92% das escolas estão paralisadas.

Repressão

Na última terça-feira (7), docentes se manifestaram em frente à Câmara Municipal de Fortaleza, para tentar impedir a votação dos vereadores na proposta da prefeitura. Segundo a diretora do Sindiute (Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Fortaleza), Gardênia Baima, a guarda civil reprimiu os protestos com violência. “Houve uma batalha campal, com bomba de gás, bala de borracha e gás lacrimogêneo”. Ela afirma que a greve continua “por tempo indeterminado”.

Na próxima segunda-feira (13), o Tribunal de Justiça do Trabalho julgará a ação feita pelo sindicato pelo cumprimento da lei do piso em Fortaleza. “Vamos aguardar o posicionamento da justiça e, depois, a categoria vai decidir”.

Última atualização em Ter, 14 de Junho de 2011 16:23
 

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