Juventude, Trabalho e Educação
Seminário Juventude em Pauta: Quem são os sujeitos do campo da Juventude? PDF Imprimir E-mail
Seg, 20 de Dezembro de 2010 15:27



A segunda mesa do Seminário Políticas Públicas: Juventude em Pauta 2010, realizada na quinta-feira, dia 02/12, no auditório da Aliança Francesa discutiu o tema “Quem faz o campo das políticas públicas de juventude: demandas, bandeiras e questões”. As participantes pontuaram e buscaram definir o que é o campo da juventude, quem são seus sujeitos e qual o universo de idéias que o compõem.

A socióloga Mary Garcia Castro apontou uma série de avanços nas políticas públicas de juventude, mas também a necessidade de uma mudança para um ponto de vista crítico em relação a elas. Ela questionou “quem fará o campo no futuro”. Para ela, a juventude é uma categoria de reconhecimento, e deve deixar de lado a marca pela faixa etária. “Temos que entender a juventude a partir da busca por reconhecimento do indivíduo em relação ao grupo, em particular o grupo de pares e outros significativos”, disse. Há que investir em paradigmas legítimos que podem ser fontes de reconhecimento, como a preocupação com o coletivo, com mudanças Assim, seria possível contornar o que para Mary seria um erro, a perda das utopias: “O mais importante é dar aos jovens a possibilidade de reinventar outros direitos, como foi com o feminismo. Estamos deixando de lado as utopias no campo da juventude”, afirmou.

A socióloga ainda provocou a plateia a pensar o conteúdo das políticas, visto que em sua maior parte são compensatórias, o que segundo ela “implica limitar os processos democráticos a que estamos submetidos, já que a nossa democracia ainda é pensada de forma representativa”. Para ela, é necessário dar legitimidade à democracia participativa para começar a desatar estes nós.

Sujeitos visíveis?

Outro conjunto de questões que a socióloga trouxe à reflexão foi em que medida esses sujeitos da juventude são ouvidos pelos outros atores que compõem o campo? Como o Estado, o mercado e a mídia ouvem esses atores? Em que medida vem se legitimando a juventude enquanto identidades em processo, mesmo que provisórias e por trânsitos?

Ela apontou que falta uma identidade na política de juventude, ou melhor, no campo, em termos de conjugar frentes de ação, e para isto é necessário discutir as singularidades desse campo, como a dialética de estar no tempo presente e na construção de tempos futuros. “Precisamos voltar àquilo que Florestan Fernandes chamou de “saber militante”. Estamos dando muita importância à institucionalização da juventude. Não temos pesquisa para pensar o que querem os jovens, partindo das utopias possíveis, ou seja, o que podem querer os jovens e a partir de que base de conhecimento e vivencia elaboram querências. Jovem  não é só sujeito de direitos a serem reinventados,  é sujeito de desejo, no entanto, este desejo é produzido pela mídia capitalista. Precisamos criar novas utopias”, investir no reencantamento do jovem com a política, o que, claro, pede que eles e elas sejam agentes de mudanças no fazer políticas, conclui.

A constituição do campo

Elisa Guaraná de Castro, antropóloga professora da UFRRJ, apontou algumas questões norteadoras na constituição do campo juventude. Segundo ela, a temática ganhou centralidade no mundo desde a década de 1990 e o Brasil proporcionou avanços importantes no debate do tema.

Para Elisa, três atores são importantes para a constituição do campo: os que atuam na parte teórica, investigativa, que estão na academia os gestores de políticas públicas, o poder público; e a sociedade civil organizada, que conseguiu consolidar a pauta junto aos movimentos sociais chamados “tradicionais”.

A pesquisadora afirma que a princípio invisibilizada, a categoria juventude ganha força na sociedade civil e nos movimentos sociais, visto que a juventude está organizada, também, em espaços não juvenis como os sindicatos, movimento de luta pela terra, etc. Para ela, é mais recentemente que juventude como ator político é fortalecido de forma orgânica – a partir da identidade da própria categoria que luta por espaço e por reconhecimento – nos lugares onde atua e aparece. “A juventude tem hoje múltiplos pertencimentos, quebrando a imagem de uma fixidez. Os espaços são relidos como novos espaços que estão em diálogo com espaços tradicionais”.

Como novidade, Elisa aponta que a juventude passou a usar as novas tecnologias e os mecanismos culturais como mecanismos políticos, formando redes nacionais e transnacionais. Ao mesmo tempo em que houve a institucionalização das organizações juvenis e das organizações não juvenis no tema de juventude. Sobretudo, “a gente vê os atores refletindo e formulando sobre juventude. Ou seja, temos hoje jovens estudando o tema em programas de pós-graduação e formando outros jovens, rompendo com a hierarquização do espaço de formulação” afirma.

Que movimento?

Taciana Gouveia, socióloga e educadora feminista, pensou a questão da juventude a partir do lugar de movimento, ou seja, “pensar o movimento a partir do movimento”. Ela procurou fazer uma descrição dos sujeitos do campo e de como eles se formulam a partir de uma singularidade, dividindo-os em três categorias analíticas: primeiro, aqueles que fazem as políticas; segundo, os destinatários (não beneficiários) das políticas públicas; e terceiro, a confluência desses dois, aqueles que formulam as políticas públicas e ao mesmo tempo são destinatários delas. São esses três tipos de sujeitos que determinam os processos internos do campo.

Taciana questionou as polaridades homens – mulheres, adultos – jovens. “Se tem gente reivindicando direitos em uma sociedade democrática capitalista é porque tem alguém em vantagem”, disse. A questão, portanto, para ela, é “o que a gente quer perder desse lugar de poder para criar outra relação de poder”?

A partir destas contribuições e provocações, junto às demais, oferecidas pelas mesas anteriores, a plateia foi convidada a participar das oficinas temáticas, que tinham como objetivo aprofundar os desafios e perspectivas de setores como saúde, orçamento segurança, comunicação, cultura, meio ambiente, trabalho e participação.

Última atualização em Seg, 20 de Dezembro de 2010 15:30
 

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