Juventude, Trabalho e Educação
Governo paulista cria escolas diferenciadas de Ensino Médio PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 08 de Dezembro de 2011 17:10

O governo do Estado de São Paulo anunciou um plano para a implantação de um novo modelo de escolas para o Ensino Médio. Segundo a Secretaria de Estado da Educação (SEE), está previsto para 2012 a criação de Centros de Referência de Ensino Médio Integral no Estado, com a finalidade de propiciar aos estudantes “muito mais do que as aulas que constam no currículo escolar, mas também oportunidades para que possa aprender e desenvolver práticas que irão apoiá-lo no planejamento e execução do seu projeto de vida”.

Inspirado nas Escolas de Referência em Ensino Médio (EREMs), de Pernambuco, o plano prevê oferta de jornada em tempo integral (8 horas diárias) e currículo diferenciado para seus alunos. De acordo com a assessoria de gabinete da SEE, a organização curricular dos Centros de Referência em São Paulo “obedecerá às diretrizes previstas na legislação vigente para a organização curricular do Ensino Médio nas escolas estaduais acrescida de disciplinas específicas, como orientação de estudos, disciplinas eletivas (optativas), práticas de ciências e preparação acadêmica, introdução ao mundo do trabalho”.

Para os professores, haverá um novo regime de trabalho, com dedicação plena e a promessa de que o docente não atuará em outras unidades no período diurno. A secretaria pretende que os professores se destaquem na “atuação em atividades de tutoria aos alunos, preparando-os para realizar seu projeto de vida e ser protagonista de sua formação”.

No ano que vem, das 3.839 escolas que oferecem a última etapa da educação básica no Estado, 16 vão se tornar escola de referência com oferta de ensino médio em tempo integral. Para selecioná-las, foram critérios da SEE a preferência por unidades que ofertassem exclusivamente o Ensino Médio e já possuíssem infraestrutura diferenciada, como número mínimo de 10 salas de aula e espaços adequados para refeição. Isso porque o modelo pedagógico do programa se realiza a partir de uma concepção que demanda a existência de “salas temáticas e prevê a existência obrigatória de laboratórios de biologia, química, física e matemática, sala de leitura e de informática”. Por oferecer ensino em tempo integral, essas escolas necessitam também de cozinha e refeitório para as refeições.

Para 2013, a meta da secretaria é a ampliação para mais 100 unidades, e até o final da gestão, em 2014, mais 184 unidades, totalizando 300 escolas – 7,9% do total das escolas com oferta de ensino médio em São Paulo. “A implantação dos Centros de Referência de Ensino Médio Integral obedecerá cronograma gradativo, a partir do ano letivo de 2012, levando em consideração critérios previamente definidos, tais como tipo de atendimento e condições de infraestrutura da unidade escolar, entre outros”, informou a assessoria de gabinete da SEE ao blog.

Começo modesto – O blog procurou também Maria Izabel Azevedo Noronha, presidenta da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) para comentar sobre os planos do governo estadual de instituir um programa de ensino médio integral. Para Maria Izabel, a secretaria “reconhece que este nível de ensino, hoje, não atende às necessidades dos estudantes e da sociedade” e “que são necessárias melhores condições de trabalho, melhores salários e condições estruturais e pedagógicas para que o ensino médio possa cumprir o seu papel de formar os estudantes tanto para o mundo do trabalho, quanto para a continuidade dos estudos”.

Todavia, a presidenta da Apeoesp questiona o fato de o projeto ter uma abrangência muito modesta frente a um universo de quase quatro mil escolas estaduais que ofertam o ensino médio. Além disso, Maria Izabel cobrou da secretaria que “o regime de dedicação exclusiva com incentivo salarial e todas as demais condições que serão asseguradas nessas escolas são aquelas necessárias para um ensino de qualidade e para a valorização do professores” sejam válidas “para todos os docentes da rede estadual de ensino e não apenas para uma  pequena parcela”. “Não queremos "ilhas de excelência" na rede estadual de ensino”, finalizou.

 


Por Renato Brandão
Do Blog Tô no Rumo

Última atualização em Qui, 08 de Dezembro de 2011 17:18
 

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