N° 02 - Qual o lugar ocupado pelos jovens no mundo do trabalho? PDF Imprimir E-mail
Ter, 31 de Outubro de 2006 21:00
Desde os anos 90 observamos um aumento dos índices de desemprego e uma intensa precarização do mercado de trabalho brasileiro. Os jovens, e mais fortemente as jovens, representam um dos grupos mais atingidos por essa realidade. É nesse cenário que se espraiam iniciativas do governo e da sociedade civil com vistas a encontrar saídas, nem sempre convergentes para o desemprego juvenil.

As chamadas políticas de geração de trabalho e renda são recentes no país e têm sido fortemente marcadas pela oferta de possibilidades de qualificação aos trabalhadores e trabalhadoras.  Quando se trata de pensar saídas para os segmentos juvenis, o foco na perspectiva de elevação de escolaridade e qualificação é ainda maior. E, em parte considerável dos casos, as saídas apresentam-se na forma de programas que aliam transferência de renda com atividades socioeducativas, nem sempre com foco na qualificação profissional ou na construção de caminhos para o mundo do trabalho.

Sem negar a importância da transferência de renda e das atividades socioeducativas, que podem produzir importantes mudanças nas trajetórias educacional e profissional dos jovens, quando realizadas com qualidade, cabe questionar a maior centralidade na dimensão educativa, quando se trata de pensar alternativas junto aos jovens. Certamente esta dimensão tem uma importância no atual contexto, mas não poderíamos pensar no trabalho como um direito dos jovens e das jovens?

Segundo nossa Constituição, o trabalho é um direito de todo cidadão e cidadã a partir dos 16 anos de idade. Queremos ou não garantir esse direito? Se sim, que tipo de estratégia seria preciso desenvolver? Que trabalho, em quais condições, com qual jornada e para quais jovens? Se não, o que seria oferecido aos jovens de nosso país que desejam e não conseguem alcançar um lugar no mundo do trabalho?

Muitos têm dito que o trabalho já não ocupa um lugar central na vida dos jovens. Ora, dados de pesquisas recentes parecem contrariar essa opinião: num contexto de falta de trabalho, mais precisamente de trabalho assalariado, o tema preocupa os jovens e as jovens, independente de variações de classe social, sexo, idade, escolaridade, entre outras.

Alguns jovens buscam e são incentivados a criar alternativas de trabalho não assalariado nesse contexto, mas, muitas vezes, esbarram em perspectivas (deles próprios, inclusive) que não reconhecem muitas dessas atividades como um “verdadeiro trabalho”. Além disso, parece central um olhar específico para os espaços de trabalho. Sabe-se que a maior parte dos jovens brasileiros, especialmente a partir dos 18 anos, trabalha, mas em condições e jornadas diversas e pouco debatidas.

Na tentativa de melhor diagnosticar a condição juvenil no mercado de trabalho, pensar e repensar as possibilidades de trabalho e emprego para a sociedade de modo geral e esse segmento em particular  trazemos a público este boletim, inspirado em dias  de muito debate entre atores diversos.
 

Artigo: Juventude e mundo do trabalho

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