Jovens que se beneficiaram das cotas fazem relato de suas experiências PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Ter, 18 de Setembro de 2007 15:05

O sistema de cotas, adotado pela primeira vez na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em 2001, ainda gera polêmica. Cerca de 25 instituições públicas de ensino superior no Brasil adotaram diferentes maneiras para garantir a presença de uma maior diversidade no espaço universitário. Essas instituições têm ainda encontrado variadas formas para definir o público beneficiário: índios, negros, pobres, estudantes de escolas públicas, entre outros.

Nesses últimos anos, entretanto, são os mecanismos que beneficiam negros e negras que têm dividido a opinião pública (exemplo disso, ver entrevista com Peter Fry e Antônio Sérgio Guimarães) e gerado um intenso debate entre formadores de opinião e na sociedade em geral. Frutos de uma intensa mobilização do movimento negro para sensibilizar a academia, as ações afirmativas no campo da educação, sendo as cotas uma dessas iniciativas, são provas de que o governo reconhece a existência do racismo e que ele é parte integrante dos mecanismos de perpetuação da iniqüidade social. Garantir a educação de moças e rapazes negros, portanto, se constitui em mecanismo indispensável para a promoção da justiça.

A Universidade de Brasília é uma das instituições precursoras e paradigmáticas desse tipo de ação afirmativa, instituindo o sistema de cotas em seu vestibular tradicional, em junho de 2004, como parte do Plano de Metas para Integração Social, Étnica e Racial. Com duração de 10 anos, a iniciativa reserva 20% do total de vagas abertas em cada ano para moças e rapazes negros, o que corresponde a quase 400 estudantes pertencentes a este grupo étnico e racial, por ano.

Wesley Pereira, 23 anos, cursa o sexto semestre de Artes Plásticas da UNB. Em busca de conhecimento, oportunidade e crescimento pessoal, ele participou, com êxito, do processo seletivo específico para cotistas. “O sistema de cotas traz à tona uma discussão, de certa forma, adormecida. Quando foi implementada, pude refletir sobre questões que só desconfiava que existiam e deixava abafadas. Pude refletir melhor sobre a minha realidade. Não tive dúvida, me inscrevi no sistema com sentimento de justiça”.

Além das atividades acadêmicas, ele fez questão de se engajar em uma iniciativa que tenha por objetivo articular pessoas que lutem por igualdade e direitos e também por favorecer pessoas recém-chegadas na universidade, que encontram dificuldade para dar prosseguimento aos estudos. Atualmente, realiza um estágio no Departamento de Diversidade e Apoio a Cotistas da UNB. E espera fazer o mesmo quando encerrar a graduação. “Como brasileiro e profissional da arte, luto pela diversidade”, afirma.

Também estagiária do Departamento de Diversidade da UNB, Hayanna Carvalho-Silva, 19 anos, é estudante de Psicologia. Afirma que após ingressar na universidade, seu interesse pela temática étnico-racial e pelo debate sobre justiça e igualdade aumentou. “Senti necessidade de mais conhecimento sobre o processo em que eu estou inserida, o processo de igualdade e justiça do qual eu faço parte, o processo historicamente sem precedentes de valorização do negro em detrimento da discriminação e do preconceito”.

No seu grupo de convivência na universidade, ela afirma não se sentir discriminada, sendo respeitada como negra e cotista. Segundo Hayanna, o fato de a UNB garantir espaço para o debate garante maior conhecimento e compreensão para a temática.garantido com a universalização e a melhoria da qualidade da educação básica.