| | Fonte: Site do IPM
São Paulo, 01 de dezembro de 2009 - O Instituto Paulo Montenegro e a Ação Educativa acabam de concluir a sexta edição do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). Apurado desde 2001, o Indicador mensura os níveis de alfabetismo funcional da população brasileira entre 15 e 64 anos de idade, residente em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país.
Dividido em quatro níveis, de acordo com a tabela abaixo, o Inaf classifica a população brasileira de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e em matemática (numeramento).
Analfabetos funcionais Analfabetismo - Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.). Alfabetismo rudimentar - Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica.
Alfabetizados funcionalmente Alfabetismo básico - As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma seqüência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações. Alfabetismo pleno - Classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade letrada: lêem textos mais longos, relacionando suas partes, comparam e interpretam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada mapas e gráficos.
Os resultados de 2009 revelam importantes avanços no alfabetismo funcional dos brasileiros entre 15 e 64 anos: uma redução na proporção dos chamados "analfabetos absolutos" de 9% para 7% entre 2007 e 2009, acompanhada por uma queda ainda mais expressiva, de seis pontos percentuais no nível rudimentar amplia consideravelmente a proporção de brasileiros adultos classificados como funcionalmente alfabetizados. O nível básico continua apresentando um contínuo crescimento, passando de 34% em 2001-2002 para 47% em 2009. Já o nível pleno de alfabetismo não mostra crescimento, oscilando dentro da margem de erro da pesquisa e mantendo-se em, aproximadamente, um quarto do total de brasileiros, conforme a tabela abaixo: Inaf / BRASIL - Evolução do Indicador de Alfabetismo População de 15 a 64 anos (%) | | | 2001-2002 | 2002-2003 | 2003-2004 | 2004-2005 | 2007 | 2009 | Analfabeto | 12 | 13 | 12 | 11 | 9 | 7 | Rudimentar | 27 | 26 | 26 | 26 | 25 | 21 | Básico | 34 | 36 | 37 | 38 | 38 | 47 | Pleno | 26 | 25 | 25 | 26 | 28 | 25 |
Escolaridade De acordo com o Inaf, chama a atenção o fato de 54% dos brasileiros que estudaram até a 4ª série atingirem, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo. Mais grave ainda é o fato de que 10% destes podem ser considerados analfabetos absolutos, apesar de terem cursado de um a quatro anos do ensino fundamental.
Dentre os que cursam ou cursaram da 5ª a 8ª série, apenas 15% podem ser considerados plenamente alfabetizados. Além disso, 24% dos que completaram entre 5ª e 8ª séries do ensino fundamental ainda permanecem no nível rudimentar. Dos que cursaram alguma série ou completaram o ensino médio, apenas 38% atingem o nível pleno de alfabetismo (que seria esperado para 100% deste grupo).
Somente entre os que chegaram ao ensino superior é que prevalecem (68%) os indivíduos com pleno domínio das habilidades de leitura/escrita e das habilidades matemáticas. Inaf / BRASIL Nível de Alfabetismo, segundo a escolaridade População de 15 a 64 anos (%) | | nenhuma | 1ª a 4ª série | 5ª a 8ª série | ensino médio | ensino superior | Analfabeto | 66 | 10 | 0 | 0 | 0 | Rudimentar | 29 | 44 | 24 | 6 | 1 | Básico | 4 | 41 | 61 | 56 | 31 | Pleno | 1 | 6 | 15 | 38 | 68 | Analfabetos Funcionais | 95 | 54 | 24 | 6 | 1 | Alfabetizado Funcionalmente | 5 | 46 | 76 | 94 | 99 |
Para uma das responsáveis pela análise do Inaf 2009, Vera Masagão, coordenadora de programas da Ação Educativa, o aumento da escolaridade também implica numa nova realidade para uma população que antes não tinha acesso ao ensino, gerando novos desafios: "À medida que o ensino fundamental se universaliza, pessoas com menos recursos vão à escola, enfrentando maiores desafios para aprender, por conta tanto de condições de vida mais precárias como de um ensino empobrecido. Têm sido necessários tempo e esforços dos sistemas de ensino para que a ampliação do acesso se reverta também em ampliação da aprendizagem", comenta.
Faixas Etárias No tocante ao desempenho das diferentes faixas etárias da população estudada, é possível observar o impacto da universalização do acesso a escolarização: cerca de 1/3 dos brasileiros de 15 a 34 anos atingem, em 2009, o nível plano de alfabetismo. Para as gerações mais velhas, no entanto, só se enquadram neste nível 23% dos brasileiros entre 35 e 49 anos e 10% dos que têm entre 50 e 64 anos.
Por outro lado, observa-se que a evolução entre 2001-2002 e 2009 foi bem maior entre as faixas com mais de 25 anos (entre 14 e 15 pontos percentuais), enquanto para os jovens de 15 a 24 a melhora foi de somente sete pontos, conforme mostra a tabela abaixo:
Inaf / BRASIL Faixas Etária | | | % de 15 a 24 anos | | 2001-2002 | 2002-2003 | 2003-2004 | 2004-2005 | 2007 | 2009 | Analfabeto | 3 | 2 | 2 | 3 | 3 | 2 | Rudimentar | 19 | 19 | 18 | 18 | 14 | 13 | Básico | 43 | 44 | 45 | 46 | 46 | 52 | Pleno | 35 | 35 | 35 | 33 | 37 | 33 | Analfabetos Funcionais | 22 | 21 | 20 | 21 | 17 | 15 | Alfabetizado Funcionalmente | 78 | 79 | 80 | 79 | 83 | 85 |
Inaf / BRASIL Faixas Etária | | | % de 25 a 34 anos | | | 2001-2002 | 2002-2003 | 2003-2004 | 2004-2005 | 2007 | 2009 | Analfabeto | 7 | 7 | 6 | 4 | 4 | 3 | Rudimentar | 26 | 23 | 23 | 23 | 22 | 15 | Básico | 35 | 40 | 42 | 42 | 39 | 50 | Pleno | 32 | 30 | 29 | 30 | 35 | 32 | Analfabetos Funcionais | 33 | 30 | 28 | 28 | 26 | 18 | Alfabetizado Funcionalmente | 67 | 70 | 72 | 72 | 74 | 82 | Inaf / BRASIL Faixas Etária | | | % de 35 a 49 anos | | | 2001-2002 | 2002-2003 | 2003-2004 | 2004-2005 | 2007 | 2009 | Analfabeto | 15 | 15 | 14 | 13 | 12 | 7 | Rudimentar | 31 | 32 | 32 | 31 | 28 | 25 | Básico | 32 | 33 | 33 | 34 | 35 | 45 | Pleno | 22 | 20 | 21 | 22 | 24 | 23 | Analfabetos Funcionais | 46 | 47 | 46 | 44 | 40 | 31 | Alfabetizado Funcionalmente | 54 | 53 | 54 | 56 | 60 | 69 | Inaf / BRASIL Faixas Etária | | | % de 50 a 64 anos | | | 2001-2002 | 2002-2003 | 2003-2004 | 2004-2005 | 2007 | 2009 | Analfabeto | 29 | 32 | 31 | 27 | 20 | 20 | Rudimentar | 37 | 34 | 32 | 34 | 39 | 32 | Básico | 23 | 23 | 25 | 26 | 29 | 38 | Pleno | 11 | 11 | 11 | 13 | 12 | 10 | Analfabetos Funcionais | 66 | 67 | 64 | 62 | 59 | 52 | Alfabetizado Funcionalmente | 34 | 33 | 36 | 38 | 41 | 48 |
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