Cultura
Ação Educativa leva Mano Brown e poetas à Fundação Casa PDF Imprimir E-mail
Sex, 30 de Abril de 2004 21:00

Fonte: site da Fundação Casa

Eles tinham as letras na ponta da língua e a emoção à flor da pele. Quando o rapper Mano Brown, acompanhado de arte-educadores e poetas do hip hop entraram na quadra do Internato Encosta Norte, no Itaim Paulista, extremo leste da capital, os jovens que cumprem medida socioeducativa explodiram de alegria.

Quase sem acreditar no que estavam vendo, os adolescentes cantaram todas as músicas do Racionais Mcs e até fizeram uma parceria com o rapper famoso, que elogiou o talento e a musicabilidade deles. “Vim aqui mostrar que vale a pena viver e que eles não devem se desesperar. Eles são a raiz da minha música. Eu faço música pensando nesses jovens. São mnha inspiração”, disse Brown, que já visitou internos da Fundação CASA em pelo menos oito ocasiões.

“Nunca podia pensar que uma pessoa como ele, tão famosa, viesse dar atenção pra gente. Estou muito feliz”, disse um dos internos. Outro jovem disse que foi uma surpresa. “Nas músicas dele, ele fala da nossa vida. Não pensei que um dia conheceria o Mano Brown”.

Durante a apresentação, quando a letra da música enaltecia alguma atividade incompatível com a nova realidade dos adolescentes, Brown fazia questão de dizer que a vida deles agora é outra. “Vocês vão vencer essa fase, o mundo é de vocês. Vim aqui para dar bom exemplo”, disse aos meninos.

Um dos objetivos de promover atividades como essa, segundo o coordenador técnico da ONG Ação Educativa, Rodrigo Medeiros, “é apresentar o Hip Hop com o seus quatro elementos: grafite, dança, discotecagem e rap”, explicou . Medeiros ressaltou que outro objetivo é estimular os jovens a produzir poesias, “resgatando a identidade cultural da periferia”.

Além do Mano Brown, o rapper Mola (Eduardo Araújo Nonato) que já esteve na criminalidade e se recuperou, apresentou um rap sobre as tristezas e infelicidades desse período obscuro da própria vida.“É emocionante estar aqui e poder contar minha história para esses meninos e dar um incentivo a eles para ficarem no caminho certo. É inexplicável o que estou sentindo”, revelou logo após a apresentação. Mola faz parte do grupo Tribunal Mcs.

Também participaram do evento, o músico Antônio Mônico de Souza D’antiga, do grupo Tribunal do Mcs, os rappers KLG e Pixote, os arte-educadores da Ação Educativa, Alessandro Buzzo, Jairo Barbosa e Akins Kinté.

O diretor da unidade, Flagas Lopes, disse que o rap faz parte da realidade dos adolescentes e que vale a pena usar esse estilo musical para estimular os meninos a buscarem uma outra história de vida. “Vocês viram que durante a apresentação o Mano Brown fez reflexões para incentivar os jovens a superar essa fase. Além disso, é um momento de descontração onde os jovens saem da rotina”, disse.

Para o gerente de arte e cultura da Fundação CASA, Guilherme Astolfi Nico , o rap é uma linguagem natural dos adolescentes e eventos como esse “aproveitam essa aceitação natural para ensinar arte, literatura e novas formas de expressão cultural”. Astolfi contou que cada vez que participa de momentos como esse se sente renovado. “Constato que vale a pena investir em cultura e educação para os jovens que cumprem medida socioeducativa”, declarou o gerente.