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A Campanha Nacional pelo Direito à Educação divulgou na sexta-feira (10) a lista dos 80 deputados que assinaram recurso protelatório ao Projeto de Lei 8035/2010, que trata do novo Plano Nacional de Educação (PNE). Caso seja o recurso aprovado, a implementação do PNE, que deveria ter entrado em vigor em 2011, ficará ainda mais atrasada - o que também retardará a elaboração de planos estaduais e municipais de educação.
Em matéria da Agência Brasil, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI), articuladora do recurso, argumentou que uma lei tão importante quanto o PNE não pode ser analisada por “apenas 16 parlamentares”, que compõem a Comissão Especial.
No entanto, a instalação de uma Comissão Especial para elaborar o novo PNE foi uma proposta do Governo Federal, questionada na época pela sociedade civil. O impasse levou à negociação de um acordo de tramitação, firmado entre a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e o então Ministro da Educação, Fernando Haddad. O acordo foi integralmente cumprido.
A composição da Comissão Especial do PNE reflete a representação de todas as forças partidárias da Câmara dos Deputados, composta por 52 parlamentares, sendo 26 titulares e 26 suplentes. Ou seja, a instância deliberativa não era formada por “apenas 16 deputados”, como informou erroneamente a SRI.
Foi após 20 meses de análise da matéria e da realização de inúmeras audiências públicas e estudos, que podem ser encontrados no site da Comissão Especial, que este grupo de trabalho parlamentar aprovou por unanimidade o patamar de 10% do PIB para a educação pública. Para tanto, inclusive, se reuniu com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, em 10 de abril de 2012.
Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, levar o projeto a plenário pode gerar modificações graves no PNE, amplamente analisado e debatido pela Comissão Especial, em diálogo com a sociedade civil e especialistas. “Levar o PNE ao plenário significa atrasar os rumos da educação, impor risco de prejuízo ao texto e retardar o direito à educação de milhões de familiares, estudantes e professores brasileiros. Correto seria debater o projeto no Senado Federal, deixando a tramitação avançar", disse.
Na quinta-feira (9), a Campanha divulgou nota alertando a sociedade brasileira sobre as manobras pelo adiamento. Notas com o mesmo teor também foram publicadas pelo Fórum Nacional de Educação, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.
Nenhum parlamentar do PCdoB, PSB, PSOL, PSDB, DEM, PPS, PV, PEN, PHS, PRP, PSL, PTC e PTdoB assinou o recurso protelatório. O partido que teve mais deputados que assinaram o recurso foi o PSD (28 parlamentares), seguido por PT (18), PMDB (10), PSC (6), PP (5), PDT (3), PR (3), PTB (3), PRB (2), PMN (1) e PRTB (1).
Daniel lembra que o parlamentar que assinou o recurso ainda tem tempo de requerer a retirada de sua assinatura. “Essa é a melhor forma dos deputados não prejudicarem o andamento da educação pública brasileira e de não serem identificados como ‘adversários da educação’”, afirmou.
Veja aqui dados e tabelas sobre o recurso.
Conheça abaixo a lista dos parlamentares que assinaram o recurso:
Ademir Camilo (PSD-MG) Afonso Hamm (PP-RS) Andre Vargas (PT-PR) Ângelo Agnolin (PDT-TO) Arlindo Chinaglia (PT-SP) Armando Vergílio (PSD-GO) Arolde de Oliveira (PSD-RJ) Átila Lins (PSD-AM) Benedita da Silva (PT-RJ) Bohn Gass (PT-RS) Carlos Magno (PP-RO) Carlos Souza (PSD-AM) Celso Maldaner (PMDB-SC) Costa Ferreira (PSC-MA) Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS) Diego Andrade (PSD-MG) Dilceu Sperafico (PP-PR) Domingos Dutra (PT-MA) Edmar Arruda (PSC-PR) Elcione Barbalho (PMDB-PA) Eliseu Padilha (PMDB-RS) Erivelton Santana (PSC-BA) Fábio Faria (PSD-RN) Fátima Pelaes (PMDB-AP) Felipe Bornier (PSD-RJ) Fernando Ferro (PT-PE) Francisco Araújo (PSD-RR) George Hilton (PRB-MG) Geraldo Resende (PMDB-MS) Geraldo Simões (PT-BA) Giovanni Queiroz (PDT-PA) Guilherme Campos (PSD-SP) Guilherme Mussi (PSD-SP) Hélio Santos (PSD-MA) Homero Pereira (PSD-MT) Hugo Leal (PSC-RJ) Hugo Napoleão (PSD-PI) Janete Rocha Pietá (PT-SP) Jaqueline Roriz (PMN-DF) Jilmar Tatto (PT-SP) João Magalhães (PMDB-MG) José Carlos Araújo (PSD-BA) José de Filippi (PT-SP) José Mentor (PT-SP) Júlio Cesar (PSD-PI) Laercio Oliveira (PR-SE) Leonardo Gadelha (PSC-PB) Luciano Castro (PR-RR) Luiz Alberto (PT-BA) Manoel Salviano (PSD-CE) Márcio Macêdo (PT-SE) Marcon (PT-RS) Moreira Mendes (PSD-RO) Nazareno Fonteles (PT-PI) Nelson Marquezelli (PTB-SP) Nelson Meurer (PP-PR) Nelson Padovani (PSC-PR) Nilton Capixaba (PTB-RO) Onofre Santo Agostini (PSD-SC) Paulo Feijó (PR-RJ) Paulo Magalhães (PSD-BA) Pedro Chaves (PMDB-GO) Policarpo (PT-DF) Professor Victório Galli (PMDB-MT) Reinhold Stephanes (PSD-PR) Ricardo Archer (PMDB-MA) Ricardo Izar (PSD-SP) Roberto Balestra (PP-GO) Roberto Britto (PP-BA) Roberto Santiago (PSD-SP) Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA) Sérgio Brito (PSD-BA) Sérgio Moraes (PTB-RS) Sibá Machado (PT-AC) Silas Câmara (PSD-AM) Vitor Paulo (PRB-RJ) Walter Tosta (PSD-MG) Zé Silva (PDT-MG)
Da Campanha Nacional pelo Direito à Educação Sex, 10 de agosto de 2012
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