Ação na Justiça
Inquérito para investigar precariedade PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qua, 19 de Dezembro de 2007 10:22
14/11/07, Diário de Cuiabá (MT)

O Ministério Público Estadual (MPE) abrirá inquérito para investigar as denúncias do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep) sobre as péssimas condições das escolas municipais de Várzea Grande. Onze delas, listadas em um dossiê, têm grande parte da estrutura comprometida e apresentam até mesmo risco de desabamento com as chuvas, se não passarem por reformas com urgência.

Quem vê a pintura nova da fachada e as duas salas de aula construídas ano passado na Escola de Educação Básica Juvelina Monteiro de Oliveira não sabe o que esconde a estrutura da instituição, erguida em 1976 no bairro Engordador. Há, no mínimo, dois anos, a sala da 4ª série está sem portas e janelas. “Quando chove, a água entra e todas as crianças têm que se aglomerar em um canto. O que é comum é animais entrarem durante a noite e as carteiras amanhecerem sujas”, relatou a coordenadora pedagógica do colégio, Sirlene Aparecida Freitas. Apesar de grave, esse não chega nem perto de ser o maior problema da instituição de ensino. No local, há apenas dois sanitários para atender a 260 alunos, com idade entre 4 a 13 anos. “Os meninos ainda dão um jeito de se virar, mas com as meninas é mais complicado”, pontuou ela.

A secretaria, a sala de professores e a direção ficam juntas por falta de espaço. Contudo, são as paredes que oferecem maior perigo. Elas estão cedendo. Das cinco salas, três são de “adobe”, rústico tijolo de barro que não passa por fornos e há 31 anos não passam por reformas. “Quando eles (a prefeitura) fizeram as duas salas novas, mostramos as rachaduras e que o telhado estava caindo, mas colocaram apenas uma haste de aço para segurar a quina e nada mais”, contou a coordenadora. O chão também está rachado de uma extremidade a outra e os 10 pilares que sustentam toda a estrutura do telhado estão totalmente desalinhados e ameaçam cair.

A única parte nova da escola, que contrasta com a antiga, não foi construída por acaso. “A gente tinha a turma da 4ª série, mas não tinha sala. Por um ano inteiro, os 25 alunos assistiram aula no corredor e só depois disso veio a ampliação”, relatou. Até mesmo os móveis que a instituição recebeu do governo federal e seis computadores estão amontoados em um canto. Isso tudo porque a prefeitura de Várzea Grande não cumpriu a contrapartida de construir o espaço físico para o laboratório de informática. Esse é apenas um exemplo da situação precária em parte das 72 escolas e creches do município. “Listamos só 11, o que não quer dizer que as demais não estejam tão  ruins quanto essas. Tem colégio com fiação comprometida, goteiras, onde é necessário até suspender aula quando chove”, relatou a presidente do Sintep, Maria Aparecida Cortez.

O secretário de Educação de Várzea Grande, Elismar Bezerra, afirmou que as reformas são de responsabilidade da Secretaria de Obras, mas pontuou que há 20 projetos a serem executados. Já o documento enviado ao MPE, ele considerou ser uma “babaquice”

 

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