Educação de Jovens e Adultos
Ação Educativa agradece o apoio ao livro "Por uma vida melhor" PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 19 de Maio de 2011 17:27
Ação Educativa agradece o apoio da comunidade científica e dos especialistas no ensino da língua

Alguns dias depois do início da polêmica em torno de uma frase retirada da obra “Por uma vida melhor”, cuja responsabilidade pedagógica é da Ação Educativa, o debate ganha argumentos mais qualificados na imprensa. Autores como Marcos Bagno (UnB), Sírio Possenti (Unicamp), Carlos Alberto Faraco (UFPR), Magda Becker Soares (UFMG) e tantos outros vieram a público se posicionar sobre a polêmica, que classificaram como “falsa” e “vazia” (leia abaixo outras manifestações de apoio).

Com exceção de alguns que insistem em insinuar que o livro “ensina errado”, parece ter ficado claro à opinião pública que o objetivo da obra é ensinar a norma culta, sim, mas a partir da consideração de variantes populares do idioma que o adulto traz consigo ao chegar à escola. Em outras palavras, o livro mostra a frase “Nós pega” para, em seguida, ensinar a forma “Nós pegamos”. Infelizmente, ao pinçar apenas a primeira parte, a notícia publicada em um blog de política do IG e reproduzida por outros veículos não trazia elementos de contextualização a seus leitores.

Lamentamos a postura de alguns parlamentares que se apropriaram da discussão de maneira superficial e usam o episódio para atacar opositores e criar novas falsas polêmicas. Como corretamente publicou a Folha de S. Paulo (18/5), o livro segue as normas dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), vigentes desde 1997.

Sabemos que o debate público é fundamental para promover a qualidade e equidade na educação, e reafirmamos nossa disposição em participar de toda discussão nesses termos.

 

Conheça as MANIFESTAÇÕES FAVORÁVEIS à obra “Por uma Vida Melhor”:

Última atualização em 23 de maio de 2011.

"Afirmar cegamente, com alarme e com alarde, que o livro é um atentado, tornado oficial, à língua portuguesa, pelo respeito localizado que ele dá às variantes populares de fala que não usam extensivamente as flexões, isto é, as normas letradas de concordância, é um sintoma ignorante e disseminado de que se concebe a língua como um instrumento de prestígio, de privilégio e de poder [...] Mais que isso, a defesa exaltada e capciosa da suposta correção linguística, desconsiderando todo o resto, é uma desbragada demonstração de ignorância em nome da denúncia da sua perpetuação. Culta, neste caso, é de uma incultura cavalar. O tom desinformado e espalhafatoso da denúncia encobre, mal, aquilo de que ele tenta fugir: o nosso analfabetismo crônico, difuso, contagiante."

José Miguel Wisnik, professor de Teoria Literária na USP

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"Essa discussão foi por um caminho errado, mas sem querer acertou numa outra coisa em que não se estava pensando. A discussão está errada porque o julgamento do livro não leva em conta que ele apresenta as regras de concordância do português padrão, que é o português da escola, e depois mostra como as pessoas aplicam essas regras na variedade popular. Mas o lado positivo é que essa querela colocou na rua um tipo de discussão que tem sido desenvolvida nos últimos vinte anos dentro das universidades e nos órgãos que administram o ensino. Essa discussão tipicamente acadêmica foi tirada dos muros da universidade e jogada na rua."

Ataliba de Castilho, autor da Nova Gramática do Português Brasileiro, professor titular aposentado da USP e da Unicamp e um dos idealizadores do Museu da Língua Portuguesa

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Prezados Educadores da Ação Educativa,

"É com profundo respeito e admiração pelo trabalho desenvolvido pela Ação Educativa, ao longo dos anos, em prol da conquista de direitos à educação de jovens e adultos no Brasil , do qual faz parte a produção de materiais que possam qualificar tal ação, que nós, professores e pesquisadores, vinculados à Linha de Pesquisa Políticas Públicas de Educação, do programa de Pós-graduação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, vimos expressar a mais profunda indignação com as denúncias, profundamente inconsistentes, partida de setores que pouco têm contribuído para a melhoria da Educação no Brasil. Além de um ato de profunda ignorância, demonstrando total desconhecimento acerca de tudo o que tem sido feito no Brasil e no mundo no campo da pesquisa linguística e da aplicação dos resultados dessa pesquisa ao campo educacional, como também da aproximação dessa área com as de ordem social, cultural e psíquica, as denúncias primam pelo oportunismo e pela desesperada busca de fatos espetacularizados que proporcionem "15 minutos de fama". Nós, que continuamos e continuaremos pesquisando e formando gerações, para além dos espetáculos, sabemos - e como sabemos! - o quanto precisamos avançar na Educação, mas sabemos também que a luta será ainda mais árdua enquanto tivermos setores importantes em nossa sociedade, detentores de significativo poder em torno da formação de opinião, descomprometidos com a geração de debates que primem pela qualidade das informações, possibilitando assim, a ampliação do universo cultural da população."


Com respeito e solidariedade,

Eliane Ribeiro
Miguel Farah Neto
Diógenes Pinheiro
Maria Fernanda Rezende Nunes

* Professores da Linha de Pesquisa Políticas Públicas de Educação, do programa de Pós-graduação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

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“A polêmica não tem qualquer fundamento. Quem a iniciou e quem a está sustentando pelo lado do escândalo, leu o que não está escrito, está atirando a esmo, atingindo alvos errados e revelando sua espantosa ignorância sobre a história e a realidade social e linguística do Brasil. Pior ainda: jornalistas respeitáveis e até mesmo um conhecido gramático manifestam indignação claramente apenas por ouvir dizer e não com base numa análise criteriosa do material. Não podemos senão lamentar essa irresponsável atitude de pessoas que têm a obrigação, ao ocupar o espaço público, de seguir comezinhos princípios éticos”. Leia aqui o artigo completo, na Gazeta do Povo.

Carlos Alberto Faraco, linguista, foi professor de Português e reitor da UFPR


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“Quando fiquei sabendo da questão, disse que não acreditava na matéria do IG, primeira fonte do debate. Depois tive acesso à indigitada página, no mesmo IG, e constatei que todos os que a leram a leram errado. Mas aposto que muitos a comentaram sem ler. (...) O linguista diz que a escola deve ensinar a dizer Os livro? Não. Nenhum linguista propõe isso em lugar nenhum (desafio os que têm opinião contrária a fornecer uma referência). Aliás, isso não foi dito no tal livro, embora todos os comentaristas digam que leram isso” Leia aqui o artigo completo, no Terra Magazine.

Sírio Possenti, professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

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“[A polêmica] não tem fundamento. Ela está estabelecida nas informações do primeiro capítulo do livro, que é sobre a diferença entre escrever e falar. Ele é muito adequado porque diz que a escrita é diferente da fala e que na fala existe muito mais variação do que na escrita. Faz a distinção entre a variedade popular e a variedade culta, e mostra que elas têm sistemas de concordâncias diferentes. (...) Quando os autores explicam que é possível falar “os peixe”, não estão querendo dizer que esse é o certo, nem vão ensinar a pessoa a escrever errado. Isso é como as pessoas já falam. A escola tem é que ensinar a norma culta e o livro faz isso. O objetivo do capítulo é apenas deixar claro que uma coisa é falar e outra é escrever”.  Leia aqui o artigo completo no jornal A Notícia (SC).

Ana Maria Zilles, pós-doutora em linguística pela New York University, professora da UNISINOS (RS)

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Kátia Lomba Bräkling, professora de linguística e uma das elaboradoras dos PCNs de língua portuguesa, avalia que o material “está perfeito”. “A gente comete coisas piores ao falar. ‘Comemos’ o ‘r’ final de todos os verbos no infinitivo. Dizemos: ‘falá’, ‘cantá’, ‘brincá’. Mas se eu estiver em um contexto familiar, posso falar do jeito que eu quiser”, defende.

Portal IG – “Uso de linguagem popular na sala de aula é orientação do MEC” – Leia a reportagem completa aqui.

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Marcos Bagno, professor da Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro Preconceito Linguístico, considera que faltaram informações à sociedade e aos meios de comunicação para abordar o assunto. "Isso é uma falsa polêmica porque qualquer livro didático que você procure no mercado brasileiro traz um comentário, uma lição sobre a variação linguística. A linguística moderna se dedica ao estudo de qualquer manifestação da língua e não só aquela que um grupo de pessoas considera certa", afirma.

Agência Brasil - “Alfabetização de adultos precisa levar em conta "norma popular", defendem especialistas”. Leia a reportagem completa aqui.

 

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“A polêmica provocada pela publicação na imprensa de trechos do livro de Heloísa Ramos nasce da defasagem entre a visão do ensino da língua materna cultivada pelo senso comum e uma pedagogia desenvolvida com base na linguística. Na condição de ciência, a linguística tem por objetivo descrever a língua, não prescrever formas de realização. O trabalho do linguista passa ao largo dos frágeis conceitos de "certo" e "errado". É fato, porém, que, para os leigos no assunto, o estudo da língua parece se resumir exatamente a esses conceitos”. Leia aqui o artigo na íntegra.

Thais Nicoletti de Camargo, consultora de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.

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A reflexão sobre a construção "os livro" não tem nada a ver com preguiça e assassinato, mas com um fenômeno cultural, histórico e social que ocorre com todas as línguas: a existência de construções linguísticas largamente usadas por vários grupos sociais e que funcionam, em certos contextos, para comunicar sem nenhum problema. As acusações feitas pelo colunista Clóvis Rossi aos professores ("preguiçosos" e "assassinos") funda-se em sua própria ignorância das razões históricas e sociais usadas pela ciência da linguística há mais de cem anos.

Francisco Alves Filho, professor da Universidade Federal do Piauí (Teresina, PI), no painel do leitor da Folha de S. Paulo (18/5)


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“O artigo de Clóvis Rossi ofende profundamente os linguistas do mundo todo. A linguística moderna substituiu o antigo ensino da gramática normativa, não desprezando a norma culta, mas mostrando que as línguas evoluem e mudam com o tempo e geram diferentes normas ou variantes linguísticas. O que hoje pode soar como vulgar no português pode, no futuro, representar norma culta. A escola deve ter consciência da história da língua e dos valores que atribuímos socialmente às variedades linguísticas”.

Luiz Carlos Cagliari, professor de linguística da Unesp (Araraquara, SP)


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“[Minha posição] não diverge em absolutamente nada em relação ao que diz a "nota pública" divulgada pela Ação Educativa. (...) O capítulo do livro que está sendo censurado trata exatamente da importância da aprendizagem da norma culta! A única coisa que eu poderia dizer a mais é que as pessoas não deveriam tirar conclusões e fazer acusações a partir de uma frase pinçada de um texto que não conhecem e que desmente tudo o que vêm dizendo a respeito do livro em questão”.

Magda Becker Soares, professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por e-mail à Ação Educativa.

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O ministro Fernando Haddad (Educação) disse que o governo não recolherá o livro "Por uma Vida Melhor", que causou polêmica ao tratar da diferença entre língua oral e escrita. "Evidentemente que não [será recolhido]. Já foi esclarecido que as pessoas que acusaram esse livro não o tinham lido. Uma pena que as pessoas se manifestaram ser ter lido", afirmou o ministro.

Folha de S. Paulo/ Agência Estado (AE) – 19/05

 

Última atualização em Ter, 31 de Maio de 2011 15:55
 

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