Observatório da Educação
Polêmica sobre qualidade do ensino e concentração de investimentos ecoa na mídia PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Ter, 14 de Março de 2006 21:00

No último domingo (12/3), a partir da comparação dos dados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), o jornal Folha de São Paulo aponta as diferenças de qualidade do ensino em escolas públicas e privadas e informa que os melhores desempenhos do exame são em cidades de pequeno e médio porte onde existem grandes universidades e que os piores desempenhos são no Nordeste.

Na mesma edição, a coluna Opinião Econômica traz o artigo que defende a concentração dos investimentos em educação avançada em localidades onde já existem centros importantes de educação e de pesquisa. A reflexão acerca das informações e o contra ponto entre os dois textos estimula o debate sobre educação e desenvolvimento.

Confira a reflexão de Sérgio Haddad, coordenador geral da Ação Educativa, sobre o assunto:

Educação, desenvolvimento e desigualdade

A Folha deste domingo propicia um interessante debate sobre a equação educação e desenvolvimento, quando entendido não apenas da perspectiva econômica, mas também social e pessoal.

A seqüência de reportagens que compara a qualidade do ensino médio entre as escolas públicas e privadas de cidades de diferentes portes contesta o artigo "Educação e Desenvolvimento", de José Alexandre Scheinkman.

A reportagem indica que a qualidade do ensino médio está relacionada às atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas por universidades. Por dedução, a melhoria da qualidade do ensino no País estaria relacionada à expansão do ensino superior e atividades de pesquisa. Já o artigo conclui que tais atividades geram mais desenvolvimento econômico quando fortalecidas em centros que já as realizam, pregando portanto, a centralização do ensino superior e atividades de pesquisa.

A centralização do conhecimento tem se revelado uma das cruéis estratégias para a manutenção das desigualdades. É por meio dela que o Brasil conseguiu a façanha de praticamente universalizar o ensino fundamental e ampliar o ensino médio, distribuindo vagas, mas piorando os níveis de desigualdades e ampliando a concentração de renda porque não distribuiu bens e conhecimento.

É ela quem garante, também, que Norte e Nordeste tenham os professores com os piores níveis de formação. Que as escolas públicas, de maneira geral, não contem em seus quadros com profissionais que freqüentaram a pós-graduação. Que a população negra esteja fora da universidade. E, mais recentemente, tem sido responsável pelo colapso da falta de professores especialistas, já noticiado por esta Folha.

O artigo não traz novidade alguma: dita uma receita secularmente utilizada pelo poder público na organização do sistema de ensino. A reportagem também não surpreende pelo diagnóstico, mas aponta caminhos.

O principal deles, talvez, seja que só a redistribuição das riquezas, aí incluído o conhecimento, pode de fato garantir educação pública universal de qualidade.

Sérgio Haddad - coordenador-geral da ONG Ação Educativa


Última atualização em Ter, 14 de Agosto de 2007 14:34
 

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