Observatório da Educação
Organizações de todo o mundo debateram educação de jovens e adultos em Belém durante primeiro Fisc PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qua, 02 de Dezembro de 2009 15:35
Fórum buscou refletir de forma plural sobre a Educação de Jovens e Adultos.


Fonte: Portal do Observatório da Educação


O primeiro Fórum Internacional da Sociedade Civil (Fisc), organizado de 28 a 30 de novembro em Belém do Pará, realizou com êxito as propostas de refletir de forma plural sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA), fomentar a troca de experiências e organizar o processo de incidência na 6ª Conferência Internacional de Educação de Adultos (Confintea VI), que está sendo realizada também em Belém (leia aqui sobre a Confintea). A avaliação é de participantes do evento ouvidos pelo Observatório da Educação.

Em entrevista ao Observatório, o professor Licínio Lima, da Universidade do Minho, de Portugal, colocou como um privilégio poder debater com pessoas de diferentes países e continentes as grandes questões da EJA. “Há posições muito distintas, que são históricas, culturais, de cada tradição de cada país, mas tem sido possível debater e por isso é uma iniciativa preciosíssima”, ressaltou. Para ele, o principal ponto de discussão foi a influência dos movimentos sociais sobre as políticas públicas, e até que ponto a sociedade civil é capaz de dialogar, de forma a ter uma agenda comum mínima possível de se usar na Confintea VI. “A situação não é fácil, a Confintea é um evento intergovernamental e, portanto, pode não ser fácil usar essas agendas nas discussões. Mas vamos ver até que ponto os governos e a própria organização do evento são capazes de ouvir o debate dos representantes da sociedade civil”, afirma.

O educador português aponta que, desde a última conferência, há uma certa tendência de concentrar conceitualmente as políticas da modalidade na aprendizagem ao longo da vida. “A aprendizagem é fundamental, é ela que queremos assegurar na EJA. Mas as políticas públicas de certos países reconhecem a aprendizagem como um processo de individualização, algo que responsabiliza, sobretudo, o indivíduo”, diz Lima. Nesse sentido, há uma passagem da responsabilidade do Estado para a da sociedade civil ou do mercado e, em última instância, do indivíduo. “É o indivíduo que aprende, que deve procurar sua aprendizagem, e isso significa que podemos passar, de forma irrefletida, de educação para o conceito de aprendizagem, passar da obrigação do Estado para a individual”, complementa (leia aqui a entrevista).

A secretária geral do ICAE (Conselho Internacional de Educação de Adultos), Celita Eccher, apontou a fala de Lima como um dos destaques do FISC, e ressaltou a importância do evento para a EJA, pela a possibilidade de a sociedade civil e movimentos sociais debaterem de forma ampla e profunda. “Foi um esforço enorme da sociedade civil internacional, nacional e de Belém, uma construção coletiva, uma ideia que se concretizou e, ao que parece, sensibilizou. A Unesco inclusive agradeceu por termos feito tanto barulho antes, que proporcionou um ambiente preparatório para a Confintea VI”, afirmou.

Rosa Cristina Porcaro, do Fórum mineiro de EJA, também colocou a experiência como importantíssima, “uma conquista muito grande por reunir pessoas do mundo inteiro, que vêm trazendo luta e reivindicações em EJA. Foi fantástico conviver com diferentes culturas e realidades de EJA, perceber como a EJA está acontecendo em diversos países”. Para Rosa, a grande demanda é por política de alfabetização. “A África faz a denúncia de que tem 50% de analfabetos: isso é inaceitável, os países devem voltar o olhar para a alfabetização”, destaca.

Já a professora Eula Regina Lima Nascimento, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e membro do comitê local da organização do FISC, o evento foi importante para a universidade pela possibilidade de participar do processo de diálogo na organização, que envolveu entidades de diferentes partes do mundo. “Construímos e, quando chega o momento da execução, há um panorama novo: as pessoas têm rosto, presencialidade, falas, e isso também foi muito bonito, o encontro de gentes, países, línguas, pessoas que estavam num mesmo objetivo, numa construção coletiva”, afirma. Ela ressaltou o envolvimento da comunidade na organização e o papel dos voluntários, que “aderiram de forma muito intensa ao trabalho, e não apenas de forma técnica, mas numa dimensão humana”.

A Confintea é o mais importante evento internacional na modalidade EJA e busca o reconhecimento da educação de adultos como elemento importante e fator contribuinte à educação ao longo da vida, cujo alicerce é a alfabetização. A conferência, que teve início em 1º de dezembro e segue até o dia 4, é intergovernamental. No entanto, a abertura contou com a presença de representantes da sociedade civil, que leram a Declaração da Sociedade Civil, intitulada “Da retórica à coerência na ação”. A cobertura do evento pode ser acompanhada pelo blogue http://fisc2009.wordpress.com/

O FISC foi realizado na UFPA e reuniu militantes, educandos e educadores de todo o mundo, além de acadêmicos do campo da EJA. A programação teve atividades relacionadas a temáticas como educação em contextos de privação de liberdade, interculturalidade, educação no campo e educação para o meio ambiente, dentre outras. Mais informações e a cobertura do FISC e da Confintea VI podem ser obtidas na página http://www.fisc2009.org/

Saiba mais

Leia aqui entrevista com Licínio Lima, da Universidade do Minho, de Portugal

Leia entrevista com Eula Regina Lima Nascimento, professora da UFPA, membro do comitê local da organização do FISC.

Leia entrevista com Celita Eccher, secretária geral do ICAE (Conselho Internacional de Educação de Adultos).

Leia aqui algumas recomendações apresentadas pelas organizações reunidas no caucus da sociedade civil, durante a Confintea VI.

Leia aqui reportagem sobre o discurso de Marina Silva, ex-Ministra do Meio Ambiente do Brasil, na abertura da Confintea VI. Ela relata sua experiência pessoal de alfabetização aos 16 anos e defende a valorização do saber narrativo na educação.

Leia aqui entrevista com Timothy Ireland, especialista em educação da Unesco e professor da Universidade Federal da Paraíba, sobre a importância da conferência e sobre a realização do FISC.

Acesse aqui o Banco de Fontes em Educação de Jovens e Adultos
Última atualização em Qua, 02 de Dezembro de 2009 15:44
 

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