Observatório da Educação
Estados terão dois meses para apresentar projetos do programa Ensino Médio inovador PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Ter, 29 de Setembro de 2009 09:21
Propostas devem ter análise da situação das escolas, plano de trabalho, plano pedagógico e programa orçamentário


Fonte: Portal do Obervatório da Educação

Terminou nesta quinta-feira, 24, o prazo para que as secretarias de educação dos 26 estados e do Distrito Federal apresentassem sugestões à minuta da portaria que cria o programa Ensino Médio Inovador (leia aqui sobre o tema), de acordo com informações do site do Ministério da Educação. A partir da publicação da portaria, as secretarias terão dois meses apresentar os planos de ações pedagógicas, que devem ter quatro itens: análise da situação das escolas, plano de trabalho, plano pedagógico e programa orçamentário.

A Ação Educativa organizou, no dia 3 de setembro, uma roda de conversa para debater pontos da atual política nacional para o ensino médio e o Observatório da Educação realizou entrevistas com participantes do evento. Leia abaixo algumas opiniões sobre o programa Ensino Médio Inovador. Entre os pontos destacados pelos presentes, está a necessidade de formação do professorado, da consulta dos atores que estão “na ponta” do sistema (professores/as e estudantes) e a falta de detalhamento de alguns pontos.

Maria Amábile Mansutti – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec)

É interessante, acena com a possibilidade das escolas construírem as experiências, com apoio financeiro e técnico-pedagógico do ministério e das secretarias de educação. É preciso que esse apoio realmente seja garantido e se configure em tudo aquilo que for necessário. Pois temos outra experiência de ensino médio: segmentado, de organização rígida, de currículo disciplinar. Então, para construir experiência do currículo inovador vai ser preciso muito apoio para as escolas, além do apoio de ordem financeira, material, é preciso ter a própria formação de professores e gestores. Precisaremos ir muito além do que temos oferecido hoje. É um programa que propõe a mudança de cultura e mentalidade nas escolas. Fazer isso é complexo.

Regina Oshiro – professora da rede

Vejo como mais uma reforma. Se não garante debate com quem está na ponta, essas medidas podem ser inócuas, não serem implementadas de fato. A implementação só vai acontecer quando envolver atores que estão na ponta: professores e estudantes. Do contrário, será mais uma reforma pela qual passaremos e as mudanças pretendidas não vão ocorrer.

João Cardoso Palma Filho, professor da Unesp, membro do Conselho Estadual de Educação

É uma proposta muito interessante, com aspectos muito positivos. Tem um caráter experimental, isso é importante. E pode servir como laboratório para construir propostas e modelos que possam depois ser estendidos para outras escolas, numa linha de inovação. Acho ruim alguns estados não aderirem, todos deveriam. Sei que São Paulo não aderiu, mas não vejo razão para isso. Deveria aderir para participar dessa experiência e contribuir com ela.

Ana Lúcia Silva Souza, pesquisadora da área de educação e letramento de juventude e relações raciais

Quando olhamos os itens, a organização dos elementos que vão orientar, não há grandes novidades se olharmos outros documentos do ensino médio, já estão postos da mesma maneira. Acho que se deve cumprir o que já está colocado. Mas, em relação à lei 10.639, há dois aspectos interessantes. Ela coloca como grande eixo para se pensar relações raciais a história e a arte, mas como esse novo projeto vai tratar isso? No documento, a leitura aparece como elemento basilar em todas as disciplinas, há o fomento de atividades na área de artes para ampliar capital cultural dos alunos. Não entendi. Vejo como perigo de essas atividades se darem fora da escola, à parte. Outro ponto são os 20% de optativas. Como vai se pensar nessas optativas?

Marcelo Morais, estudante do segundo ano do ensino médio da Escola Estadual prof. João Dias da Silveira (São Paulo)

Não basta aumentar a carga horária se não há profissionais capacitados, nem lugares capacitados para oferecer esse ensino que estão pretendendo. Como laboratórios, que muitas escolas não têm, professores, já que muitas escolas não dispõem de professores a mais para fazer esse tipo de trabalho. Na minha opinião, isso não vai muito para frente, não.

Jessi Kerolyne Gonçalves – estudante do terceiro ano do ensino médio da escola estadual dep. Silva Prado (São Paulo)

A proposta é excelente. Se houver recursos para que se faça isso. Laboratório dentro da escola não é fácil, se fosse já teríamos há muito tempo. Não é algo que vá surgir do nada, é preciso muito planejamento.
Última atualização em Ter, 29 de Setembro de 2009 13:25
 

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