Observatório da Educação
Jornais paraguaios não contextualizam reivindicações dos docentes PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Seg, 25 de Fevereiro de 2013 15:28

O portal Vozes da Educação analisa como três dos principais jornais do Paraguai retrataram o indicativo de greve de docentes entre os dias 10 e 25 de janeiro

 

Por Gabriel Salgado, do Vozes da Educação

O Ministério da Fazenda do Paraguai atrasou o pagamento de fundo para professores que, em resposta, ameaçaram adiar o início das aulas, previsto para o dia 25 de fevereiro. Esta e outras reivindicações foram destaque de matérias publicadas pelos jornais paraguaios La Nación, Última Hora e ABC, entre os dias 10 e 25 de janeiro.

Ao entrevistar o dirigente sindical da Federação de Educadores do Paraguai (FEP), Carlos Parodi, os periódicos trataram, principalmente, do atraso do governo, que não teria depositado os recursos dos sindicatos de professores. A verba, segundo Parodi, já foi descontada dos trabalhadores filiados e deveria ter sido utilizada para sanar as dívidas contraídas pelos educadores em nome de suas associações.

O jornal Ultima Hora, no dia 16 de janeiro, abordou a reivindicação da FEP com destaque ao possível atraso do início do ano letivo por meio da matéria intitulada “Ameaça de greve docente põe em risco início das aulas”.

De acordo com a matéria, o Ministério da Fazenda do Paraguai deveria já ter liberado a quantia de U$ 50 milhões de dólares cobrados de maneira indevida dos professores com a rubrica de “outros descontos”. Apesar de ter dado a perspectiva da organização sindical, o jornal não publicitou qualquer resposta governamental ou mesmo que tenha procurado o Ministério na busca de versão oficial que justificasse o atraso do pagamento.

Com direcionamento semelhante, o jornal ABC veiculou nessa mesma data (16/01) a matéria “Educadores anunciam greve por atraso de pagamentos” que, além das informações presentes no texto do primeiro jornal analisado, acrescentou que o Ministério realiza este pagamento todos os meses, que o atraso agrava a situação dos docentes à medida que aumenta os juros sobre suas dívidas e que cerca de 90 mil professores estão sendo afetados com a demora.

Como a publicação anterior, o jornal ABC se restringiu às reclamações relacionadas especificamente ao atraso do pagamento e não veiculou resposta do governo às falas do dirigente sindical.

Já a matéria “Docentes sindicalizados não descartam atrasar início de aulas se o Governo não cumprir com compromissos assumidos” do jornal La Nación, do dia 24 de janeiro, tratou as reivindicações dos professores de forma mais ampla. Ao abordar não somente o atraso do Ministério da Fazenda (citado nos outros dois jornais), a matéria expôs protesto contra nomeação indireta e irregular de supervisores educacionais, a favor de bonificação a professores que possuam até quatro filhos, além da fiscalização pela FEP no fornecimento de merendas e pela maior qualidade de materiais escolares.

Em comparação com as duas outras matérias analisadas, o jornal La Nación retrata de forma mais abrangente as lutas dos professores paraguaios, mas não divulga todas as suas reivindicações, deixando também de contrapô-las à resposta governamental.

Além do que trouxeram os três jornais na quinzena analisada, a FEP divulgou, por seu site, em comunicado do dia 25 de janeiro, a luta pela dignidade da profissão docente por meio da possível modificação da lei de aposentadoria de professores e do pagamento da licença maternidade a partir de fevereiro deste ano, por exemplo.

Merendas e materiais escolares

A qualidade de materiais escolares e a forma como se dará a distribuição da merenda foi tema frequente nos três jornais analisados nestes quinze dias. No dia 13 de janeiro, o jornal Ultima Hora publicou matéria detalhando decreto que estabelece prioridade para merenda em regiões vulneráveis como as de população indígena e assentamentos.

O La Nación, por sua vez, fez matéria no dia 22, tratando da distribuição dos materiais escolares que deve ser feita simultaneamente por todo o país, e no dia 23, sobre a licitação para fornecimento de almoço escolar que recebeu oferta de cinco empresas. De acordo com esta última notícia, o complemento nutricional faz parte da consolidação da gratuidade da educação pública junto com o fornecimento de materiais escolares e outros projetos.

Também no dia 22 de janeiro, o jornal ABC abordou a distribuição das cerca de 1 milhão e quinhentas mil cestas de materiais escolares a serem entregues para “todos os estudantes das escolas e colégios públicos, e também para os adultos que participam de programas de educação permanente”.

Do portal Vozes da Educação
Qui, 21 de fevereiro de 2013

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Última atualização em Seg, 25 de Fevereiro de 2013 15:32
 

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