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Mostra vai até setembro e reúne produções independentes e de coletivos de artistas populares da periferia de São Paulo.
Imagine só, uma laje, algumas cadeiras de plástico, um projetor digital e algumas ideias que outrora estavam apenas na cabeça e, agora, são exibidas em formato audiovisual para pessoas comuns da comunidade de Jardim Guarujá, periferia de São Paulo. Pois foi assim que surgiu a 1ª Mostra Cinema na Laje, com apresentação de 12 filmes, sendo oito documentários quatro de ficção.O projeto está sendo realizado pela Cooperifa – já conhecida pelo seu sarau poético das quartas-feiras no Bar do Zé Batidão – e conta com a curadoria de Daniel Fagundes, do Núcleo de Comunicação Alternativa (NCA), que tem uma biblioteca popular que há três anos circula por vários bairros com um acervo audiovisual de 2 mil filmes, sendo entre 500 e 600, de produção independe ou de realizadores populares do Brasil todo.
Segundo Daniel, a iniciativa surgiu de conversas entre ele e Sérgio Vaz, um dos coordenadores da Cooperifa, que há mais de um ano realiza o cinema na laje. “O Cinema na Laje já se organiza aí há mais de um ano e o Sérgio Vaz vinha falando de fazer um trabalho mais popular de divulgação da produção audiovisual dos coletivos constituídos na região e em outras regiões de São Paulo”, conta. “Então para nós da comunidade é muito importante que haja esse espaço de lazer e também de divulgação dos trabalhos”, diz.
A 1ª Mostra Cinema na Laje começou no dia 8 de agosto e tem data para terminar, provavelmente, no dia 12 de setembro. Isso porque, na exibição do dia 15 de agosto, quando seria exibido o filme Fulero Circo, de Diogo Noventa, faltou energia. Daniel contou que em três casas abaixo ainda havia luz no início da exibição “então nós puxamos uma extensão gigantesca para garantir a exibição”. Mas não teve jeito, logo depois, “acabou a luz no bairro todo”. “Não temos gerador e então temos dessas dificuldades”, acrescentou.
Se você ainda não foi assistir aos filmes, fique atento, pois a Mostra Cinema na Laje acontece sempre às segundas, às 20 horas, no Bar do Zé Batidão, Jardim Guarujá (Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Jd. Guarujá).
PROGRAMAÇÃO
Semana 1 (dia 08/08) Vídeo e Luta Popular
QUAL CENTRO? Sinopse: O filme debate o projeto de revitalização da região central de São Paulo, mostrando o cotidiano de uma ocupação em um posto de gasolina e sua luta por moradia digna.
Produção: Coletivo Nossa Tela Direção: Evandro César dos Santos Tipo: Doc Formato: Mini DV Ano: 2010 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Wilq Vicente, Beatriz Natalia e Tiago Costa Duração: 15 min.
PERIFERIA LUTA Sinopse: Morte social como solução dos problemas da população carente? Esse é o programa habitacional da cidade de São Paulo? Enquanto isso numa mesa de bar: “A igualdade não virá de cima pra baixo, mas de baixo pra cima...” Produção: Rede de Comunidades do Extremo Sul, Passa Palavra e CMI Tipo: Doc Formato: Mini DV Ano: 2010 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Rede de Comunidades do Extremo Sul Duração: 15 min.
FELISBURGO Sinopse: Em 20 de novembro de 2004, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy e seus jagunços invadiram o acampamento Terra Prometida, no município mineiro de Felisburgo, assassinaram 5 trabalhadores rurais Sem Terra e deixaram mais 20 gravemente feridos. O massacre de Felisburgo, que completa cinco anos, é considerado um retrato da atualidade da violência no campo, da impunidade da justiça e da paralisação da reforma agrária. Produção: Brigada de Audiovisual da Via Campesina e MST - MG. Tipo: Doc Formato: Mini DV Ano: 2009 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Brigada de Audiovisual da Via Campesina. Duração: 11 min.
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Semana 2 (dia 15/08) Ficção contra a realidade
FULERO CIRCO Sinopse: Depois de tantos maus tratos, de viver entre os ratos, de ter que achar o absurdo legal, a trupe autodenominada FULERO CIRCO, formada por desempregados e trabalhadores ocasionais, viajou pelo Brasil para apresentar sua peça “O mistério do novo”, uma investigação sobre os dias de hoje.
Produção: Cia Estudo de Cena. Direção: Diogo Noventa Tipo: Ficção Formato: Vídeo DV Ano: 2011 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Patrícia Alegre Duração: 50 min.
AMANHÃ TALVEZ Sinopse: Manoel e sua vida, cotidiano. Bebida, controle remoto, controle remoto, bebida, boteco. Às vezes a mulher, as vezes os filhos, as vezes. Controle remoto, bebida, TV, um anjo. Um anjo e a vida de Manoel. Baseado no conto “Amanhã Talvez” de Sergio Vaz. Direção: Rogério Pixote Tipo: Ficção Formato: Vídeo DV Ano: 2010 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Renato Cândido Duração: 9 min.
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Semana 3 (dia 22/08) Olhares extremos (Grajaú em cena)
GRAJAÚ: UM DESENHO DE CULTURA
Sinopse: Por que fazer um mapeamento dos ativistas culturais do Grajaú? Qual o intuito? Por que fazer um documentário sobre esse mapeamento? Como seria isso? Ninguém melhor que os próprios movimentos de cultura em questão pra responder essas perguntas, não? Artistas do distrito do Grajaú discutem como fazer um documentário e qual o potencial de sua arte no contexto em que vivem e trabalham.
Produção: NCA, Humbalada, Imargem, Morro da Macumba, Balaio Cultural e Instituto Pólis. Direção: Fernando Solidade, Daniel FagundeS, Diego FF. Soares e André Luiz Pereira. Tipo: Doc Formato: Mini DV Ano: 2010 Origem: Brasil (SP) Fotografia: NCA Duração: 39 min.
ONDE SÃO PAULO ACABA Sinopse: Futebol, rap, violência e drogas. Um dia na periferia sul de São Paulo.
Direção: Andréa Seligmann Tipo: Ficção Formato: 35mm Ano Produção: 1995 Origem: Brasil (SP) Cor / PB: cor Duração: 12 min.
GRAJAÚ, ONDE SÃO PAULO COMEÇA Sinopse: Articulado a partir da ideia de um “street movie”, “Grajaú, onde São Paulo começa”, conduz sua narrativa a partir dos percursos e inquietações de vários artistas que vivem neste carente e populoso bairro no extremo sul da cidade de São Paulo às margens do maior reservatório hídrico da cidade. Fugindo dos estereótipos de violência e pobreza, o documentário busca construir a imagem deste imenso bairro paulistano através da arte e da geografia fugindo aos clichês convencionais associados à cidade.
Direção: João Claudio de Sena Tipo: Doc Formato: HD Ano: 2011 Origem: Brasil (SP) Fotografia: João Claudio de Sena Duração: 25 min.
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Semana 4 (dia 29/08) Tragicomédia Brasileira
O INCRÍVEL ENCONTRO Sinopse: No aniversário de 500 anos do Brasil o CETE (Centro Experimental Teatro Escola) coordenado pelo ator e diretor Antônio Pedro, convoca diversas pessoas para uma experimentação teatral coletiva. Atores e não atores, de diversas formações e classes sociais promovem o grande encontro de suas vidas com a história do Brasil.
Produção: CETE e Propícia produções Direção: Júlio Calasso Tipo: Doc Formato: Vídeo DV Ano: 2011 Origem: Brasil (RJ) Fotografia: Júlio Calasso Duração: 60 min.
O SEQUESTRO DA CULTURA BRASILEIRA Sinopse: Filme de ficção sobre a “alta cultura” versus a cultura das ruas. Trata-se de um assalto a um museu motivado, a princípio, pelo exclusivo interesse em lucrar com o sequestro de um quadro bem avaliado no mercado. As contradições da vida e da cultura.
Produção: Bruno Rico, Bruna Callegari, Vitor Serra Direção: Bruno Rico Tipo: Ficção Formato: Mini DV Ano: 2005 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Bruna Callegari Duração: 35 min.
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Semana 5 (dia 05/09) Cultura de Rua
NOS TEMPOS DA SÃO BENTO Sinopse: Rodado entre os anos de 2007 a 2010, Nos Tempos da São Bento é um documentário que busca a memória coletiva do hip-hop. O documentário busca resgatar a memória daqueles que fizeram a História do Hip-Hop, ocupando por vários anos o espaço do Metrô São Bento, no centro da cidade de São Paulo. Minuciosa, a estrutura discursiva nos leva ao conflito com o esquecimento; o ato social de se apagar fatos, pessoas e grupos da história. É justamente este conflito, apresentado através do exercício da narrativa, que se transforma em ação dramática, onde a personagem principal é a memória coletiva.
Produção: SUATITUDE Direção: Guilherme Botelho Tipo: Doc Formato: Mini DV Ano: 2010 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Cassimano Duração: 90 min.
LINHA DE AÇÃO Sinopse: Primeiro episódio de uma série de crônicas sobre culturas urbanas e arte coletiva de resistência nas periferias do mundo. Uma ponte entre dois pontos de vista de artistas-cidadãos que criam em extremos opostos da cidade de São Paulo: Shirley Casa Verde, da Zona Norte (Fábrica de Gênios/Cinescadão) e Sérgio Vaz, da Zona Sul (Cooperifa).
Produção: Cinescadão e Temporal Filmes Direção: Flávio Galvão e Rica Saito Tipo: Doc Formato: Mini DV Ano: 2010 Origem: Brasil (SP) Fotografia: Flávio Galvão, Rica Saito. Fernando Solidade e Negro JC Duração: 6 min. |