Cultura
Cultura e educação no centro das atenções PDF Imprimir E-mail
Sex, 30 de Abril de 2004 21:00

Para comemorar seus cinco anos de existência, o Centro de Juventude e Educação Continuada, da ONG Ação Educativa, está promovendo nesse fim de ano uma programação especial sobre a história das rodas de samba. Espaço de educação e cultura, o Centro desenvolve desde 2000 diversas atividades de formação, intercâmbio e difusão cultural. O samba é um dos muitos temas trabalhados com o objetivo de incentivar a organização e a mobilização social.

“A idéia é que esse seja um espaço não só de difusão, mas também de produção de cultura e arte”, explica o coordenador Antônio Eleison.

Ao lado do samba, outros temas trabalhados pelo Centro, que fica na região central de São Paulo (SP), são o hip hop, o grafitte e a literatura marginal ou periférica. Além do vigor artístico, Eleison enxerga nessas manifestações uma dimensão social muito forte. Para ele, esses movimentos, são “expressões artísticas que resgatam valores, incentivam a organização e a mobilização social das pessoas”.

Desde o final de outubro, palestras e oficinas vêm tratando da origem do samba, de suas variações, como o samba de roda e o de bumbo, e da sua relação com a comunidade. No dia 19 de novembro, das 14h às 18h, é o jongo que estará em pauta. A intenção é expor as principais características da dança, dos instrumentos e do canto presentes nas várias modalidades desse ritmo musical. Já no dia 25 de novembro, será realizada uma aula-espetáculo com o tema “Cantando a história do samba paulista”. A idéia é tratar da história do ritmo, desde suas origens nas senzalas com os cantos africanos, passando pelas festas religiosas, blocos carnavalescos e escolas se samba.

Além das oficinas, o Centro promove uma exposição fotográfica até o dia 20 de dezembro com o tema “Não é só garoa”. As fotos do fotógrafo Samuel Iavelberg retratam três rodas de samba paulistas: Comunidade do Samba da Vela; Samba da Laje e o Pagode do Cafofo.

Outro estilo musical que tem espaço no Centro é o hip hop. Com o objetivo de ser uma mostra permanente de produção cultural das periferias, a Semana de Cultura Hip Hop é realizada desde 2001. Eleison lembra que a intenção do evento, feito em parceria com grupos e núcleos culturais ligados ao movimento hip hop, é oferecer espaço para artistas novos: "Um espaço para quem faz arte poder se aperfeiçoar e se encontrar". Em 2004, mais de 2 mil pessoas participaram do encontro que contou com oficinas, cursos, debates e apresentações artísticas.

O Circuito Vila Buarque de Educação e Cultura também é uma ação importante do Centro. Junto a mais de 20 organizações locais, o evento, que acontece duas vezes ao ano, pretende fazer da Comunidade de Vila Buarque um pólo cultural da cidade. No ano passado, o Circuito teve como tema a memória da comunidade que já foi palco das primeiras apresentações de Chico Buarque e foi onde Dorival Caymmi compôs algumas de suas mais importantes músicas.

O centro possui salas para cursos, biblioteca, área de convivência, espaço para eventos e auditório. Além das atividades regulares da Ação Educativa, o Centro acolhe atividades de outras instituições por meio da locação e da cessão de seu espaço.

Além dessas atividades especiais, o Centro promove aulas para jovens e adultos, abrangendo o ensino fundamental. Conta também com uma biblioteca especializada em educação e juventude com uma ampla base de dados totalmente informatizada. E, em parceria com o Centro de Mídia Independente (CMI), administra um centro de internet que funciona com computadores reciclados e com o software livre Linux. Nesse espaço, além do acesso à rede mundial, são promovidas oficinas, debates e outros eventos ligados à mídia eletrônica.

“A intenção do Centro é ser um ponto de encontro para discussão, troca e produção de arte e cultura”, revela Eleison. No entanto, o coodenador do Centro aponta como entraves a sua atuação fatores como falta de recursos e a pouca repercussão das atividades promovidas na cidade de São Paulo.

“Como São Paulo possui uma agenda cultural muito cheia, enfrentamos dificuldades em divulgar nossa programação de uma maneira mais consistente por isso cada vez mais buscamos parceria com outras organizações civis e empresas. Além disso, o principal problema que enfrentamos é superar as dificuldades financeiras da maioria de nossos atores culturais. Como são em sua maioria provenientes da periferia de São Paulo, em muitos casos, eles não têm dinheiro nem para chegar ao Centro“, conta.

Trabalhando a cultura e a educação como direitos básicos de todo ser humano, o Centro de Juventude pretende ser um espaço onde temas como música, literatura e arte sejam cada vez mais discutidos e valorizados. “Estamos fortalecendo nossa vocação para centro cultural a fim de ser um local de trocas e diálogos entre diversos atores políticos, culturais e sociais”, completa Eleison.

Joana Moscatelli – Publicado em www.rits.org.br