Cultura
Leia mais sobre a história e as práticas do Futebol "Callejero” PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 28 de Fevereiro de 2013 16:10

O Futebol Callejero (de rua, em português) foi concebido como uma resposta às tantas crises que afetam e atravessam o “ser jovem” na América Latina. Ele parte do poder mobilizador do futebol para atrair a atenção e criar vínculos entre os participantes a partir de uma experiência baseada em suas próprias experiências e gostos.

Quando surgiu, nos anos 1990, no bairro Chaco Chico, na cidade de Moreno, na Grande Buenos Aires (Argentina), a proposta foi recuperar um espaço de protagonismo e diálogo entre jovens em uma sociedade na qual a violência atravessava todas as relações: familiares, no bairro, na escola, comunidade.

Logo a prática conseguiu incorporar a estas relações outras questões - a igualdade de gênero, a igualdade de condições e valores humanos - como elementos que se integram ao sentido de vitória, e a forte figura do mediador esportivo-social como facilitador das interações.

A metodologia do Futebol Callejero praticado em Moreno logo encontrou pares em práticas realizadas em outras partes do mundo, como o bairro de Lima, em Villa Salvador (Peru), a comunidade Carro Navia, em Santigado do Chile, a região do Chaco Paraguaio e em outros lugares onde se tomou o futebol como uma forma de criar cidadania.

Hoje a metodologia do Futebol Callejero é difundida em países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Brasil, Equador, Costa Rica, Colômbia, Peru, Panamá, Alemanha e África do Sul; e segue em um ritmo rápido de disseminação pelo mundo como forma de promover processos de diálogo e inclusão social, fomentar a igualdade de gênero, promover a defesa de direitos de crianças, adolescentes e jovens, melhorar relações escolares e comunitárias, entre outros temas.

Regras

Pensado como uma resposta às crises que atravessam o “ser jovem” na região, a metodologia do Futebol Callejero acabou por transformar diversas regras do tradicional esporte bretão para potencializar seu poder mobilizador. As regras variam de acordo com as realidades das comunidades que o praticam, mas há alguns princípios básicos a serem seguidos.

No Futebol Callejero, uma partida normalmente se organiza em três tempos. No primeiro, é formada a roda onde são estabelecidas as regras do jogo, divisão de equipes, sistema de pontuação, valores e acordos iniciais. No segundo, acontece o jogo em si.

Já no terceiro tempo, as duas equipes avaliam se os acordos iniciais foram cumpridos. É nesse momento que todos têm a oportunidade de falar como se sentiram durante o jogo, se existiu respeito, solidariedade, cooperação e tolerância, e se todos agiram de forma a promover um “jogo limpo”. Todas as informações são anotadas em uma planilha, na qual são registrados os gols da partida e a nota atribuída pelos participantes aos valores praticados durante o jogo. É a partir dela que se decide o campeão.

Outra característica do Futebol Callejero é que a partida não tem juiz, mas apenas um mediador. De acordo com a metodologia, todos participantes são responsáveis por cumprir o que estabeleceram, gerenciando possíveis conflitos e praticando valores como respeito, solidariedade, tolerância e cooperação.

A partir daí, conforme explica Rodrigo Medeiros, coordenador do projeto pela Ação Educativa, em cada encontro os praticantes do esporte estabelecem suas próprias regras e sistema de pontuação. “Em alguns casos, gols feitos a partir de jogadas em equipe valem mais pontos do que gols feitos a partir de jogadas individuais. Em outros, gols de pessoas com deficiência valem mais pontos,” explica.

Mais informações

Para mais informações sore Futebol Callejero, leia o manifesto do Movimento Futebol Callejero ou acesse o site da Fundación Fútbol para el Desarrollo (FuDe).

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Última atualização em Qui, 28 de Fevereiro de 2013 18:35