Cultura
Projeto Marginaliaria lança o livro Antologia Marginal, Baseado de Ponta PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Ter, 31 de Janeiro de 2012 11:49

Com apoio do Programa Valorização de Iniciativas Culturas (VAI) da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, o livro Antologia Marginal, Baseado de Ponta, reúne poesias e contos de oitos artistas e escritores do Projeto Marginaliaria, todos oriundos da Zona Leste de São Paulo. Com prefácio de Rodrigo Ciríaco, o livro traz escritas que relatam situações cotidianas, sonhos, anseios, conflitos sociais e poesias que manifestam a necessidade de transformação social. Em entrevista, a produtora do livro Janaina Santana*, conta um pouco a história desse projeto e fala sobre a importância de polícias culturais voltadas à cultura periférica.

Ação Educativa: Como surgiu a ideia de fazer a publicação Baseado de Ponta? Ela já estava prevista no início do projeto?

Janaína Santana: O coletivo já desenvolvia algumas atividades e assim que conseguiu obter o recurso do VAI conseguiu por em prática algumas propostas. Fazer ‘O Levante’ encontro mensal em São Miguel Paulista com diversos artistas para compartilhar suas artes (grafite, música, teatro, poesia, arte circense...), a gravação do DVD com músicas do Coletivo e a publicação da Antologia que nos fez ler e escrever mais e nos situar no circuito cultural periférico. Um aprendizado coletivo.

Ação Educativa: E o que é o projeto Marginaliaria?

Janaína Santana:
O "Projeto Marginaliaria" é a tentativa de junção de três linguagens artísticas: música, literatura e teatro que buscam retratar problemas sociais, anseios, vitórias e necessidades das pessoas que são cotidianamente marginalizadas, ou seja, postas a margem da sociedade, os periféricos.  A inspiração vem de expoentes da literatura periférica, já publicados ou não (até o presente momento as referências literárias incorporadas ao repertório são Ferréz e Rodrigo Ciríaco) e o cotidiano da sociedade. Além da literatura há influências musicais do Blues, Soul, Rap, Reggae e o Samba e do teatro o “mestre marginal” da década de 70, Plínio Marcos. O Grupo é composto por nove integrantes sendo apenas duas mulheres e, todos são oriundos da Zona Leste de São Paulo tendo São Miguel Paulista como seu principal foco de atuação.

Ação Educativa: Conte pra gente um pouco do que contém o livro e conte um pouquinho sobre os autores:

Janaína Santana: O livro contém poesias e contos de Amauri Alves, Andrio Candido, Débora Garcia, Eliezer, Henrique Costa, Janaina Santana, Jesu Severo, Leandro ‘erro rasta’ e o prefácio de outro escritor da quebrada, Rodrigo Ciríaco. Todos moradores da zona leste de São Paulo. São escritas que relatam situações cotidianas, sonhos, anseios, conflitos sociais e poesias que manifestam a necessidade de transformação social.  A poesia nos permite gritar nossos desejos, tentar nos fazer ser ouvidos e por fim nos alivia mesmo que momentaneamente. O nome ‘Baseado de ponta’ vem com a intenção de identificar as escritas que partem de autores e histórias da ponta, das pontas da cidade.

Ação Educativa: Foi a primeira vez que você trabalhou na produção de um livro? Conte um pouquinho de como foi esse processo (obstáculos, conquistas):

Janaína Santana: Foi acima de tudo um aprendizado. Entender as ferramentas e lidar com editora, cadastros, diagramação, busca de parceiros, negociação de material e etc. Nunca pensei em fazer isto e nem como dava trabalho. Foi um prazer ver o boneco diagramado no computador e mais ainda vê-lo impresso.

Ação Educativa: O livro é fruto de uma política cultural, o VAI. Como você avalia hoje a política de incentivo à cultura da cidade de São Paulo? Acredita que abre a oportunidade maior para jovens mostrarem seus talentos artísticos? O que precisa melhorar?

Janaína Santana: Sem dúvidas as políticas de incentivo ao desenvolvimento cultural são um avanço para os grupos, há muitos desafios. Primeiro penso que há diversos grupos que nem têm noção da ligação entre o que fazem com o desenvolvimento político, ou como política pública. Penso ser um desafio fazer este link. É necessário que os grupos vejam esta oportunidade para além do benefício de desenvolvimento do seu grupo. Sinto a necessidade de algum tipo de engajamento político/social para além de suas atuações pontuais, mas entendo que elas por si já são transformadoras, mas não bastam. Destaco isto, pois a política do benefício tem duração e há que pensar em como manter os grupos depois desse período. Pensar política de cultura para além destes programas (que são muito importantes, mas é apenas o empurrão inicial), pensar acima de tudo em uma economia da cultura de maneira sustentável. É um desafio, urgente, para que muitos grupos não deixem de desenvolver seus trabalhos por falta de verba.

Janaina Santana é especialista em Linguagens da Arte pela USP, graduada em Ciências Sociais pela PUC-SP e coordenadora do Projeto Arte na Casa da Ação Educativa.

Última atualização em Ter, 31 de Janeiro de 2012 14:46