| Editorial: No meio de uma gente tão modesta |
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| Por Administrator |
| Qua, 04 de Julho de 2012 15:22 |
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Todo ano é assim. Passa os festejos juninos e na alvorada do mês de julho, ecoa o som dos tamborins, agogôs e cavaquinhos nas comunidades de samba da periferia de São Paulo. Neste mês, cinco rodas de samba fazem aniversário. A mais popular entre as aniversariantes, o Samba da Vela, apaga velas há 12 anos, posicionando-se assim como uma das mais antigas e tradicionais rodas de samba de São Paulo. Por causa disso, nessa época do ano, o samba é muito celebrado e discutido. E um tema muito recorrente nas discussões é um apelo à volta das raízes, a necessidade da valorização do samba original e o quanto as rodas de samba contribuem para este “resgate”. Veja a programação da Agenda Cultural da Periferia para o mês de julho Há uma percepção de que o chamado samba autêntico teria perdido espaço para o pagode comercial, produto midiático que tomou conta da TV e do rádio já na década de 80 e que ainda mantém sua hegemonia, contando inclusive com grupos de jovens brancos de classe média como o Inimigos da HP, que, como acontece com esses tipos de grupos, já sumiu. Teria o samba se desvirtuado? Haveria razão para “voltar” às raízes? Somente o Samba da Vela, reúne 150 pessoas toda segunda-feira. O Pagode do Cafofo, da região do Aricanduva (Zona Leste) chegou a juntar 3 mil pessoas numa das comemorações de aniversário. O Samba da Laje, quando fez 10 anos, bloqueou uma avenida na Vila Santa Catarina, onde cinco mil pessoas aglomeraram-se numa festa memorável. Essa gente toda, que se encontra em torno das rodas de samba, comunga entre si um apego à tradição. Sentem-se identificadas nessa irmandade. Não está ali por causa de anúncios em rádio e TV. Comparece porque é da comunidade. E este é um traço fundamental para se entender a força das rodas de samba. Os grupos são formados ali, na quebrada, e por meio da música, fortalecem a comunidade da qual são oriundos. As rodas de samba, mais do que qualquer outra manifestação cultural, fortalecem um tecido social comunitário. Isso é muito importante para afirmação das populações que habitam as áreas periféricas das metrópoles. E a comunidade, diferente do movimento social de tipo reivindicatório, afirma-se pelo que tem — não pelo que não tem. Isso lhe confere um sentido de pertencimento que resulta na tradição, na continuidade. E o samba tece o manto simbólico dessas comunidades. Por isso, meu caro leitor, vá às comunidades. Verás que o samba autêntico não precisa ser “resgatado”. Ele está livre e solto como uma pipa nos céus da periferia. Leia também: Editora da Agenda da Periferia fala sobre os cinco anos da publicação Exposição retrata violação do direito à moradia no Pinheirinho e na Favela do Moinho Bando da Bandeira Amarela faz resgate dos primórdios do samba |