Ponto de Cultura
Bando da Bandeira Amarela faz resgate dos primórdios do samba PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 14 de Junho de 2012 16:03

O Espaço Cultural Periferia no Centro recebeu na primeira sexta-feira do mês (1), data da tradicional roda de samba da Ação Educativa, o Bando da Bandeira Amarela. Idealizado pelo compositor João do Violão, autor do clássico “Eu Bebo Sim”, o grupo foi criado há cerca de um ano, com o objetivo de preservar e manter acesa a chama do samba, valorizando, divulgando e retomando os grandes mestres envolvidos neste segmento e suas canções.

“Queríamos resgatar o samba dos primeiros tempos. Nossa pesquisa de repertório vai de Donga até Paulinho da Viola; de 1970 para trás”, diz João do Violão. Por isso, diz, a formação do grupo inclui instrumentos de corda (cavaquinho e violão de sete cordas), de sopro (trombone) e percussão de couro, prato e faca, reco-reco, latinha e afins.

O Bando da Bandeira Amarela tem também composições próprias, que seguem o mesmo andamento e a mesma formação da época. O repertório contempla diferentes vertentes, passando pelo maxixe, partido alto, samba sincopado, sambas-enredo, sambas-canção, entre outros.

O grupo é formado por Bel Borges e Paula Sanches no vocal; Marcelo Archanjo, voz e tamborim; Marcelo Homero, voz e surdo; Dudu Cepeda, voz e pandeiro; Paulinho Timor, voz e percussão; Cacá Sorriso, voz e percussão; Samuel Silva, voz e violão de sete cordas; Marcelinho Arrelia, no cavaco; e Allan Abbadia no trombone.

Resistência cultural

O nome do grupo também é uma reverência ao passado do samba. Conforme explica João, no passado, a bandeira amarela era hasteada na porta das casas onde haveria rodas de samba, para indicar o local sem chamar a atenção da polícia. “Essa senha foi usada por muito tempo porque a polícia sempre reprimia as rodas de samba e resolvi resgatar essa tradição porque ela conta muito sobre a história do ritmo. O símbolo agora é de outra resistência: da autenticidade do samba brasileiro”, afirma.

Para João, embora hoje o samba seja comumente exaltado como uma das maiores manifestações da cultura brasileira, ele ainda é reprimido. “A diferença é que a repressão hoje não é física. Ela é mais sútil, é difícil, conseguir espaço da mídia para este samba mais tradicional, por exemplo. É uma briga de Davi e Golias para conseguir espaço para o samba frente a uma enorme indústria cultural.”

Para garantir o espaço do samba tradicional, o compositor defende que os grupos busquem espaços alternativos. “Seria ótimo se houvesse mais ‘Ações Educativas’ pelo país”, diz. Ele defende ainda que pesquisa histórica e musical aliada à preocupação com a qualidade da execução dos sambas em roda como uma das “grandes armas” para manter o samba do passado vivo. “Neste sentido, São Paulo está liderando em termos de projetos e pesquisa de repertório, com muitos grupos, a ponto de surpreender até cariocas. O samba paulista é muito forte”, defende.

Última atualização em Seg, 18 de Junho de 2012 14:14
 

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