| Encontro Regional Latino-Americano de Educação em Prisões |
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| Por Administrator |
| Qui, 05 de Junho de 2008 10:08 |
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Encontro Regional Latino-Americano de Educação em Prisões 27 e 28/Mar/2008 Educação de Mulheres encarceradas (GT) Informe preliminar
A Ação Educativa, ONG localizada em São Paulo, juntamente com o Ilanud, tem a responsabilidade de sistematizar informações sobre a situação da educação das mulheres encarceradas, animando assim o Grupo de Trabalho sobre o tema, constituído no âmbito do processo preparatório à Conferência Internacional sobre Educação nas Prisões. Por ocasião do Encontro Regional da América Latina de Educação nas Prisões, organizado pela Unesco em 27 e 28 de maio, em Brasília, foi produzido informe preliminar baseado em informações sobre a educação de mulheres encarceradas na Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala e México. A síntese do resultado deste relatório preliminar está apresentada a seguir.
I - Diagnóstico 1. Condição Geral
2. Sobre a educação
II – Síntese das informações Informações coletadas até março de 2008:
1. Perfil da Mulher Encarcerada (Brasil, dados nacionais MJ) 1.1 Faixa etária: 51,5% tem menos de 29 anos; 26,9% tem menos de 24
1.2 Pertencimento étnico-racial: 55,6% são negras (15,7% pretas e 39,9% pardas) e 43,2% brancas. Encarceramento de mulheres pertencentes a grupos étnico-raciais discriminados foi apontado nas informações da Guatemala, em relação às mulheres indígenas
1.3 As estrangeiras representam 3,2% das mulheres encarceradas
1.4 Grau de escolaridade (15% dos estabelecimentos não prestaram esta informação): 4,7% analfabetas; 12,7%Alfabetizadas; 34,9% não completou o ensino fundamental; 14,1% tem fundamental completo; 12,4% não concluiu o ensino médio; 9,2% concluiu o ensino médio; 1,8% não concluiu o ensino superior; 0,8% tem superior completo
1.5 Crimes tentados/consumados: 42,2% tráfico de entorpecentes; roubo qualificado (6,7%); Roubo simples (6,4%); Furto Simples (5,5%); Furto Qualificado (5,4%). Situação coincide com informações da Argentina.
2. Acesso Apesar da alta demanda potencial indicada pela baixa escolaridade das mulheres, dados de unidades prisionais da Argentina e Brasil indicavam que apenas 10% da população carcerária freqüentava a escola 2.1 Informação - Não há ampla divulgação da oferta – informação algumas vezes é restrita a pequenos cartazes ou avisos orais informais - Não há ações de estímulo/sensibilização – necessárias sobretudo porque grande parte teve uma relação negativa com a escola na infância e/ou adolescência - Não há disseminação da informação sobre o direito à educação – muitas mulheres ignoram que têm o direito a acessar o Ensino Superior ou mesmo ao ensino médio – acreditam que o dever do Estado na oferta está restrito ao ensino fundamental - Ausência de divulgação dos critérios para acesso às atividades educativas, particularmente cursos profissionalizantes - Falta ou dificuldade de acesso aos documentos escolares anteriores à prisão impedem acesso e permanência à escola 2.2 Conflito de horários - Aulas na educação formal coincidem com horário das oficinas de trabalho; e/ou cursos profissionalizantes; e/ou visitas de familiares e visitas íntimas; e/ou educação física; e/ou educação artística - Oficinas remuneram por hora/trabalho, descontando do salário o período das aulas - Oficinas evitam atender mulheres que estudam 2.3 Relação entre lógica escolar e normas disciplinares e de segurança - Intervalo entre o horário de trabalho e da escola não permite banho/jantar - Observação a normas disciplinares como postura física de mãos atrás das costas e cabeça baixa na conversa com pessoas não sentenciadas conflitam com a postura autônoma exigida para o bom desempenho do processo ensino-aprendizagem - Suspensão das aulas sob a alegação de razões de segurança sem registro
3. Qualidade 3.1 Relação entre ensino regular e ensino profissionalizante - Aulas das duas modalidades acontecem em horários conflitantes - Não há integração curricular entre estas duas perspectivas, que atuam quase que de forma concorrente entre si 3.2 Indefinição ou precarização da noção do ensino profissionalizante - Oferta de cursos voltados a ofícios manuais e/ou domésticas, desvalorizados no mercado de trabalho - Oferta de cursos que correspondem aos estereótipos de gênero: costura, determinadas formas de artesanato (crochê, tricô, biscuit); estética/beleza 3.3 Precariedade da oferta de educação física - não há profissionais capacitados para condução das atividades, muitas vezes ficando sob a responsabilidade de voluntários, sentenciados ou não; - não há espaço adequado para a prática de esporte (quadra ou campo) 3.4 Indefinição sobre educação artística - Não há integração desta disciplina do currículo da educação formal - Não há profissionais capacitados para esta disciplina - Verifica-se confusão entre educação artística e cursos profissionalizantes e, estes, por sua vez, com as oficinas de trabalho (trabalho remunerado) – estereótipo de gênero - Verifica-se experiências com artes cênicas desenvolvidas por voluntários ou ONGs 3.5 Falta de material didático-pedagógico - A segregação da educação no sistema prisional dos sistemas públicos de ensino agrava a falta de recursos para esta modalidade – incluindo material escolar, livros e outros materiais didáticos - Excluída do sistema público de ensino, o financiamento da educação no sistema prisional depende dos recursos destinados às ações para execução da pena, inclusive construção de presídios - Esta situação afeta particularmente as unidades femininas que, em geral encontram-se, em todos os sentidos, em pior estado de funcionamento que as masculinas 3.6 Biblioteca - Prevalecem livros didáticos e para-didáticos ultrapassados; obras de auto-ajuda e revistas “femininas”. Nota-se que as duas últimas categorias reforçam um estereótipo de gênero, sem oferecer novas possibilidades de leitura - Entre outros, faltam livros de Direito, em especial direitos humanos e referências sobre direitos da população carcerária 3.7 Instalações físicas - Apesar da super-lotação generalizada nas unidades, as salas de aula comportam a demanda de maneira satisfatória - Constata-se em algumas unidades a improvisação do espaço para sala de aula - Muitas vezes o espaço da escola é utilizado para encontros com profissionais do Direito, reuniões, atividades culturais, instalação de oficinas de artesanato e outros, ocasionando interrupção das aulas
4. Permanência 4.1 Relação com filhos - A vida escolar das mulheres encarceradas é fortemente influenciada pelos filhos – de um lado, algumas afirmam freqüentar a escola na prisão por ser uma maneira de “dar bom exemplo” aos filhos, ou ainda reconquistar seu respeito e admiração. Por outro lado, comumente o abandono escolar é atribuído à preocupação com os filhos (“não tem cabeça para continuar”). A instabilidade emocional provocada pela distância (saudade, preocupação com a formação etc) é agravada pela vulnerabilidade socioeconômica das famílias, em grande parte chefiada pela mulher que se encontra encarcerada. Para superar esta situação é fundamental programas de acompanhamento e apoio às famílias das mulheres encarceradas. 4.2 Incentivo - A concorrência com o trabalho é agravada pela desigualdade de condição entre freqüentar a escola e as oficinas. Nesse sentido, a remição da pena pelo estudo constitui-se numa possibilidade de incentivo à permanência na escola 4.3 Respeito aos interesses, especificidades e diversidades - Verifica-se infantilização das atividades ofertadas, seja nos temas abordados, forma de tratá-los ou material didático-pedagógico utilizado - Seja por meio de material didático-pedagógico ou postura de professoras/es e colegas, verifica-se reprodução de posturas racistas – duas situações exemplares: mulheres negras no Brasil e mulheres indígenas na Guatemala - Faltam oportunidades de educação formal para mulheres estrangeiras – não se confundem com situação de analfabetismo
5. Dificuldades para o controle social - O preconceito em relação à população carcerária em geral, e às mulheres em particular - a falta de dados oficiais - a segregação da educação nas prisionais do sistema público de ensino - o pequeno número de pesquisas - a reduzida atuação da sociedade civil no ambiente prisional agravada pelo endurecimento das normas de “segurança”, sobretudo no que se refere ao ritual de revista - a falta de atenção para com as unidades prisionais - São elementos que dificultam o controle social sobre as políticas educacionais destinadas às mulheres encarceradas, e colocam para a sociedade civil uma agenda de trabalho para superação deste quadro.
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