Seminário Juventude em Pauta: avanços, desafios e perspectivas: um balanço PDF Imprimir E-mail
Seg, 13 de Dezembro de 2010 09:50



A última mesa do Seminário Políticas Públicas Juventude em Pauta 2010 chamava-se “Balanço: desafios e perspectivas”. Além das duas convidadas, as professoras Marilia Pontes Sposito, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), e Regina Novaes, pesquisadora do CNPq, o momento envolveu também os participantes com suas avaliações sobre as questões levantadas nas atividades realizadas nos três dias de mesas e oficinas.

Para Marilia Sposito, o balanço do Seminário foi, sem dúvidas, positivo, e a pergunta que ela se coloca agora é se “vamos inaugurar um novo ciclo ou vamos ficar no continuísmo, que é diferente de continuidade?”.  “Iremos propor metas, avançar e aprofundar debates, reconhecer limites e superá-los?”, questiona. Marilia ressalta também que é necessário o aprofundamento da reflexão acerca do que entendemos como democracia e demandas de ampliação das institucionalidades no âmbito do Estado, pois, ao aumentar, trazem consigo maior burocracia, que também é uma forma de dominação e de exercício de poder. “É preciso também pensar no que acontece nas bases da política, que são os municípios, as cidades e os territórios, para além das atenções às ações apenas no nível federal”, afirma.

Para Regina Novaes, existe hoje um consenso geral: “Não há uma política nacional de juventude consolidada no Brasil. Porém, há processos em curso, com seus avanços e contradições. No que diz respeito a programas e ações dirigidos para jovens, nestes anos, aconteceram várias mudanças tanto nas esferas governamentais, quanto na sociedade civil e, também, nas relações entre governos e sociedade. Nosso desafio é enxergar este realinhamento, seus saldos, seus limites e, assim, localizar um horizonte para novas superações”, afirma.


Ambas ressaltaram os vários avanços conquistados nos últimos anos no campo acadêmico, nas esferas públicas e na sociedade civil. Marília aponta que, por exemplo, na produção acadêmica hoje fala-se em juventudes, na condição juvenil, na sua pluralidade, mesmo que este discurso não seja hegemônico, principalmente nas esferas públicas. Regina acredita que, como propôs Paulo Carrano na primeira mesa da atividade, o Seminário conseguiu ampliar as discussões colocando a questão das políticas de juventude no contexto mais geral das políticas sociais de distribuição, de reconhecimento e de participação. A professora finaliza com uma provocação: “Até que ponto nós – jovens e adultos envolvidos nos debates da juventude – conseguimos modificar mecanismos tradicionais, já interiorizados, de como se faz a disputa política?”. Em sua opinião, esta reflexão ainda tem que ser feita.

Os desafios apontados são diversos e a plenária saiu mais abastecida de energias e elementos para os debates a serem enfrentados, como afirmou a professora Marilia Sposito, “pelo menos assim eu me sinto”, concluiu.

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar