Jovens expõem suas obras no dia do grafite PDF Imprimir E-mail
Sex, 30 de Abril de 2004 21:00



A noite do dia 27 de março de 2009 foi diferente. Diferente para as ruas de São Paulo e para o prédio da sede da Ação Educativa, que ganharam novas intervenções em grafite. Mas fundamentalmente diferente para três jovens. Nica, Borboleta e Dino*, adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas na Fundação Casa e que nesta noite, tiveram seus momentos de estrelato. Eles acompanharam a abertura da exposição comemorativa do dia do grafite, em que suas obras estavam na parede junto com as de outros artistas.

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Borboleta

“Eu ainda não acredito que estou aqui. É uma sensação incrível estar entre pessoas tão importantes. Eu decidi. É isso que eu quero fazer da minha vida. Fazer mais e mais trabalhos, conhecer mais e pintar”, afirma Borboleta, de 18 anos.

Para Dino, 17 anos, a saída da Fundação foi uma surpresa e a exposição, uma vitória.. “É muito bom estar aqui hoje e ver que tem gente valorizando o que eu faço. É uma glória. Se eu pudesse deixar um recado para quem está na mesma condição que eu, eu diria que se você tem um sonho, vá atrás dele e batalhe, que uma hora ele vem”, conta.

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Dino

Elaine Alexandra de Alencar, Coordenadora pedagógica da Unidade Abaeté, reconhece o valor da iniciativa. “É um reconhecimento do trabalho que estamos desenvolvendo com os jovens em especial nas oficinas. Eles se percebem e se enxergam como pessoas, como produtores. É uma descoberta e uma identificação. Sabemos que isso também tem um impacto na vida deles ao sair da internação”, afirma.

E ninguém melhor que os educadores dos jovens para acompanhar o impacto das oficinas nas vidas deles. “Eu acredito que o graffiti cria alguns aspectos de respeito e mesmo de poder. Ajuda a pessoa a entender que ela pode mudar o seu ambiente. O graffiti dá essa idéia, dá essa noção. Usa os materiais para criar essa intenção da arte-educação, da forma de relacionar o eu com o espaço”, conta Edílson Andreoli Mesquista, arte-educador há 7 anos e integrante do projeto Arte na Casa, da Ação Educativa.

Nica é a prova do que Edilson afirma. “Quero aproveitar esta oportunidade, este privilégio que é estar aqui, e buscar outros caminhos pela arte. Está sendo tudo muito diferente estar aqui, com estas pessoas, conhecer gente nova, mostrar meu trabalho... é um prazer imenso”, conta Nica, que diz também que recebeu apoio dos colegas na Fundação. “Eles me apoiaram muito e reconheceram meu privilégio de estar aqui”.

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Nica

Fabrício Cruz, grafiteiro e também educador do projeto, afirma que as oficinas resgatam muito a auto-estima dos jovens. “Eles se vêem aqui numa exposição como essa, daqui pra frente pensam em produzir mais coisas, se dedicarem mais ao graffiti e usar o Hip Hop pra ir daqui para uma melhor. Se na rua eles se envolviam com armas, com drogas, agora elee só vão querer pegar uma lata de tinta na mão e trabalhar com isso”, afirma.
 
* Usamos os apelidos dos jovens, para preservar suas identidades.