Cida Perez PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 21 de Agosto de 2008 14:21
Cida Perez (ex-secretária de educação do município de São Paulo)

Quais são as causas da rotatividade dos profissionais da educação?
Acho que são várias causas. A gente tem que avaliar a própria questão do sistema, como ele está condicionando as jornadas dos professores. Quando a gente fala em rotatividade, a gente quer o contrário, quer fixar o professor na escola.

E quais são as formas de superação da rotatividade?
Para fixar o professor na escola é necessária uma série de medidas que não apenas puni-lo pela não presença, pela falta, ou tirar direitos adquiridos como a questão da remoção e da mobilidade na cidade.

É preciso criar uma série de medidas para dar condições de trabalho: local adequado, fixação no posto de trabalho para que trabalhe em uma única escola com condições salariais satisfatórias, porque não se trata de negar ou tirar o segundo vínculo a que esse profissional tem o direito.

Se há uma jornada como na cidade de São Paulo, em que 25 horas têm de ser cumpridas em sala de aula, é preciso repensar o que é essa sala de aula. Não necessariamente o professor precisa dar 25 aulas dentro de uma sala, mas pode desenvolver projetos relacionados ao currículo dentro da escola.
Se há dedicação a uma única escola, há condições de criar um vínculo maior com a comunidade. Para a criação de vínculos, para que o profissional também queira se fixar nas escolas, é preciso ser sujeito dentro da escola, participar da elaboração dos projetos pedagógicos, se sentir cúmplice na formulação das políticas educacionais, e que a escola não seja isolada.

São várias situações para criar estas condições. Não pensar somente em punição ou premiação. Julgar o que é um bom ou mau comportamento e punir o que você considera mau, que são julgamentos moralistas, que julga as pessoas, por faltar, pela vontade de mudar de lugar, de mudar daquela escola, sem verificar as condições de trabalho colocadas pelo sistema, sem avaliar sua relação com o aluno e seu envolvimento no processo de aprendizagem. Devemos pensar qual o estimulo que o sistema educacional está dando para o professor para que ele seja presente, não só de corpo, mas de alma, de envolvimento.

É necessário repensar o módulo de profissionais na escola, como por exemplo estabelecer um percentual de professores a mais que o número de classes.

Por último, cabe lembrar que o dialogo na formulação dessas condições é essencial.