Edição nº 28 - Protestos de professores colocam o piso salarial em debate PDF Imprimir E-mail
Qua, 09 de Abril de 2008 11:42

O salário dos professores esteve na pauta de diversos jornais locais no mês de março. Na maioria deles, o debate incluía a definição de um piso salarial nacional, cujo Projeto de Lei está tramitando no Congresso Nacional. Mas houve também casos de matérias que destacaram reivindicações locais e as propostas de aumento ou bonificação das secretarias de educação.

O paraense O Liberal (07/03), Jornal da Paraíba (11/03), Diário de Cuiabá (14/03), o pernambucano Jornal do Commercio (13 e 15/03) destacaram a adesão dos sindicatos dos professores dos respectivos estados à decisão da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) de realizar protestos e paralisações para pressionar o andamento da proposta de piso nacional. Já em Santa Catarina, o destaque ficou para discordância dos sindicatos com a instituição de um bônus de R$ 200 para os professores estaduais da ativa. O tema apareceu no Diário Catarinense (05/03) e em A Notícia (06/03). Os paulistas Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo destacaram a proposta da prefeitura da capital, que precisa ainda ser aprovada na Câmara de Vereadores, de incorporar gratificações ao salário dos professores.

Apenas um veículo, neste período, aproveitou este momento de negociação de salários para dedicar mais espaço ao tema. O Jornal da Paraíba, em 16 de março, retratou o cotidiano de professores de escolas públicas e particulares que “fazem ‘bicos’ e trabalham como sacoleiros, vigias, vendedores, feirantes, artesãos e doceiros” e duplicam ou triplicam sua jornada de trabalho para complementar os baixos salários que recebem como docentes. A Paraíba, segundo o MEC, pagaria o terceiro pior salário aos professores, atrás apenas de Pernambuco e Ceará: entre R$ 415 e R$ 979 mensais.

Melhores e piores

Março também foi o mês da divulgação dos resultados do Saresp 2007, exame aplicado aos alunos da rede estadual de São Paulo para avaliar o desempenho em português e matemática. A Folha de S. Paulo (14 de março) concedeu três páginas ao tema e destacou que “80% dos alunos não atingiram os conhecimentos esperados pela Secretaria da Educação”. Além de publicar os nomes das escolas com melhores e piores desempenhos, o jornal divulgou exemplos de questões do exame e resultados dos questionários respondidos pelos educadores – sem explicações mais aprofundadas, a interpretação dos dados relacionou o melhor desempenho com a correção da lição de casa. Também foi apontado que as escolas situadas nas regiões de piores indicadores sociais também possuem desempenho mais baixo.

Trazendo outras possibilidades de análise dos resultados, o Jornal da Tarde, no dia seguinte, foi até a escola que obteve o melhor desempenho no Saresp e descobriu que possui proposta pedagógica diferenciada e que a maioria dos professores é efetivo e está na escola há muitos anos.

Todos pela Educação

O Correio Braziliense publicou entre 16 e 20 de março uma série de reportagens sobre os desafios para o cumprimento das cinco metas para a educação brasileira propostas pelo movimento Todos pela Educação. Já havia algum tempo que estas cinco metas - definidas pelo movimento e em parte assumidas pelo Ministério da Educação no Compromisso de Metas, proposto aos estados e municípios que aderissem ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) – não apareciam com destaque nos jornais.

O jornal privilegiou a apresentação de dados nacionais, opiniões de representantes do Todos pela Educação e entrevistas com alunos que abandonaram a escola e alunos e professores de escolas consideradas modelo. Destacou que as diferenças culturais e sociais entre as regiões brasileiras têm reflexo nos desafios colocados ao cumprimento das metas, entretanto não aprofundou o impacto dessas desigualdades e estratégias para a sua superação. Apesar de terem sido citados, a relação das metas com os objetivos do PDE foi pouco explorada.

   
ALÉM DA PAUTA
 
As matérias, neste momento, têm privilegiado o acompanhamento individual de algumas das propostas, como a Olimpíadas de Português, a Provinha Brasil e a tramitação do Piso Nacional Salarial para professores.

Entretanto, falta um monitoramente mais contínuo do conjunto das propostas e projetos previstos no PDE. O momento é oportuno, já que com a adesão do estado de São Paulo ao PDE, no final de março 2008, cerca de um ano após seu lançamento, todas as unidades federativas estão presentes no Plano.

Boletim quinzenal produzido pelo Observatório da Educação
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Equipe: Mariângela Graciano (coordenação) e Marina Gonzalez (redação)